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Bactérias aplicadas às sementes de trigo podem se tornar a base de novos produtos biológicos para proteger a cultura - Foto: Divulgalçao/Caroline Sayuri Nishisaka/Embrapa

Bactérias em sementes de trigo abrem caminho para novo bioinsumo

Possibilidade de transformar a descoberta em negócio, como destacou a Agência Fapesp

Bactérias aplicadas às sementes de trigo podem se tornar a base de novos produtos biológicos para proteger a cultura de uma doença fúngica que compromete a absorção de nutrientes e causa prejuízos às lavouras.

O “escudo microbiológico” é a classificação feita por meio de uma pesquisa da Embrapa e da USP (Universidade de São Paulo), que identificou a redução de cerca de 60% nos sintomas da podridão da raiz.

Os microrganismos avaliados integram o portfólio da Embrapa que empresas interessadas em desenvolver produtos a partir da pesquisa podem licenciar. Assim, aumenta a possibilidade de transformar a descoberta em negócio, como destacou a Agência Fapesp, nesta segunda-feira (28).

O resultado abre espaço para novos inoculantes biológicos voltados à proteção do trigo. Entretanto, ainda não há estimativas de custo de aplicação, retorno financeiro ao produtor ou prazo para chegada de um produto ao mercado.

A pesquisa, publicada na revista NPJ Biofilms and Microbiomes, tem como diferencial o mecanismo de proteção. Ou seja, as bactérias conseguem reduzir os sintomas sem eliminar do solo o fungo Bipolaris sorokiniana, causador da doença.

De acordo com os pesquisadores, as bactérias reorganizam a comunidade de microrganismos ao redor das raízes, criando condições que favorecem a defesa da planta.

“Constatamos que o fungo continuou presente no solo em quantidades semelhantes, tanto perto das plantas doentes quanto das saudáveis. O que mudou foi o resultado da interação”, explicou Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e coordenador dos projetos à Agência Fapesp.

Trigo ancestral

O estudo apresenta a seleção de três espécies bacterianas a partir de estudos com variedades ancestrais e cultivares comerciais de trigo, e os que foram utilizados no experimento vieram de variedades crioulas obtidas na Turquia e no Irã.

Entre os resultados de melhor desempenho estão o controle do patógeno e o maior aumento da biomassa das raízes. Inclusive, ajudou a restaurar “funções do microbioma associadas à proteção vegetal” e fortalecer a planta, conclui a pesquisa.

Para o desenvolvimento de novas tecnologias, o próximo passo dos pesquisadores é entender quais substâncias produzidas pelas plantas sustentam essas bactérias benéficas e quais processos são ativados nessa interação.

Adiante, o experimento pode ajudar a orientar produtos destinados ao controle e à prevenção de doenças agrícolas.

O trabalho recebeu apoio da FAPESP e envolveu a Embrapa Meio Ambiente, o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ambos da USP.

Fonte: André Julião-Agência FAPESP