Brasil não deseja retaliar tarifas dos EUA, diz Alckmin
Ao abrir um processo de reciprocidade, o Brasil não deseja retaliar as tarifas impostas pelos EUA contra produtos brasileiros, segundo o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, em fala hoje, na conferência anual do Santander. Segundo ele, o governo brasileiro vai insistir na negociação.
O que aconteceu
Geraldo Alckmin disse que Brasil seguirá negociando com Estados Unidos. O vice-presidente da República afirmou que acredita na eliminação de tarifas por meio de acordo. Ele pediu paciência, pois as negociações entre os países devem demorar.
“Não é retaliação, não há interesse em retaliar ninguém. Olho por olho, o máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego.”
— Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Brasil não tem que entrar em briga dos Estados Unidos com a China, afirmou o vice. Alckmin acha necessário manter boas relações com as duas nações, visto que a China é o principal destino das exportações brasileiras, e os EUA são os maiores investidores externos no Brasil.
“Eu acredito que vai ter acordo do Brasil com os Estados Unidos. […] Ser amigo dos dois é o bom caminho.”
— Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Canadá pode ser o próximo país a fechar acordo comercial com o Mercosul. Segundo Geraldo Alckmin, o governo brasileiro já está trabalhando com o governo canadense sobre a parceria. “Acho que o próximo a fazer acordo com o Mercosul pode ser o Canadá. Comércio exterior é fundamental”, afirmou, após listar os acordos comerciais celebrados nos últimos anos pelo bloco sul-americano com o apoio do governo brasileiro.
Entenda a crise Brasil-EUA
Primeiramente, os Estados Unidos taxaram produtos brasileiros em até 37,5%. Ademais, em julho, uma alíquota de 25% passou a atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA.
Por conseguinte, isso equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões em mercadorias, segundo estimativas do governo. Além disso, o país acusa o Brasil de supostas práticas econômicas desleais.
Por outro lado, no mesmo mês, foi aplicada uma segunda alíquota adicional de 12,5%, relacionada a alegações sobre trabalho forçado. Assim, em determinados casos, as duas tarifas podem ser somadas, levando a uma cobrança total de 37,5%.
Portanto, o governo brasileiro considera as tarifas injustas e arbitrárias. Por fim, em resposta, o país iniciou o processo de aplicação da Lei da Reciprocidade, afirmando que as medidas americanas não encontram respaldo nas regras multilaterais de comércio e que continuará contestando as decisões dos EUA nos fóruns internacionais.
Ministro de Lula disse que Brasil busca negociação e que reciprocidade será a última alternativa. “Ninguém parte do pressuposto de que só aplicando a medida [de reciprocidade] vamos conseguir corrigir a relação, que está muito assimétrica”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Márcio Elias Rosa, em entrevista à GloboNews, semana passada.
Mais de 2.200 produtos ficaram de fora das novas tarifas. A lista de exceções inclui itens considerados estratégicos, como carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves.
Fonte: Uol




