No momento, você está visualizando Brasileiro vence prêmio internacional por pesquisa sobre Alzheimer
Brasileiro tem trabalho reconhecido no diagnóstico do Alzheimer. Wagner Brum foi premiado por desenvolver pesquisa inovadora Foto: Reprodução/Redes sociais

Brasileiro vence prêmio internacional por pesquisa sobre Alzheimer

Brasileiro tem trabalho reconhecido no diagnóstico do Alzheimer

Um jovem pesquisador brasileiro de 28 anos ganhou destaque internacional por seu trabalho inovador no diagnóstico da doença de Alzheimer. Wagner Brum foi premiado por desenvolver uma pesquisa que utiliza exames de sangue como método para detectar a presença da doença, em um trabalho apoiado pelo Instituto Serrapilheira e IDOR Ciência Pioneira.

Brum explicou que existe uma diferença fundamental entre demência e Alzheimer, muitas vezes confundidos pelo público geral. “A demência é a síndrome clínica em que um indivíduo perde a sua independência no dia a dia devido a um prejuízo cognitivo. O Alzheimer é a principal causa de demência”, esclareceu o pesquisador.

Como funciona o diagnóstico por exame de sangue

O método tradicional de diagnóstico do Alzheimer tem base principalmente em avaliações clínicas, o que dificulta o desenvolvimento de tratamentos eficazes. Segundo Brum, o Alzheimer tem causa pelo acúmulo de duas proteínas no cérebro que desencadeiam uma série de eventos prejudiciais.

“Nos anos 90, desenvolveram uma técnica para medir essas proteínas no liquor, que a gente coleta com uma punção lombar, uma técnica um pouco invasiva. Depois veio uma técnica mais avançada para ver essas proteínas do cérebro. Só que uma é invasiva e a outra é cara”, explicou o médico.

O exame de sangue desenvolvido em sua pesquisa, chamado Petal 217, permite detectar as alterações cerebrais características do Alzheimer de forma menos invasiva e potencialmente mais acessível. Uma das descobertas mais significativas é que essas proteínas começam a se acumular no cérebro cerca de 20 a 30 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas da doença.

Implementação no Brasil e próximos passos

“Um dos nossos principais desafios é implementar esse novo exame de sangue e realizar mais estudos na população brasileira”, afirmou Brum. Ele coordena, junto com o professor Eduardo Zimmer, o estudo IB Bioneuro (Iniciativa Brasileira de Biomarcadores para Doenças Neurodegenerativas), que conta com o apoio do Ministério da Saúde.

O pesquisador, primordialmente, ressaltou que o exame ainda não tem recomendação para pessoas sem sintomas. Assim, a indicação é, sobretudo, para diagnóstico diferencial em pacientes com problemas cognitivos.

“Em pacientes com queixas cognitivas, portanto, seja resultado negativo ou positivo, o exame ajuda muito. Dessa forma, aumenta a confiança do médico especialista e do generalista”, destacou.

O projeto visa comprovar a eficácia do exame na população brasileira. Além disso, pretende implementá-lo em larga escala no sistema de saúde e capacitar profissionais para solicitar e interpretar os resultados corretamente.

A expectativa é que, no futuro, o diagnóstico precoce possa contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para o Alzheimer.

Fonte: cnn