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Canais de WhatsApp podem ser desativados 48h antes da eleição. Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato Foto: Ag. Brasil

TSE estuda desativar canais políticos no WhatsApp 48h antes da eleição

Canais de WhatsApp podem ser desativados 48h antes da eleição

Uma minuta de resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê que canais de WhatsApp com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25). 

Caso aprovada pelo plenário do TSE, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto da minuta obtida pela Agência Brasil.

A minuta com a proposta passou a circular entre os ministros do TSE após os magistrados debaterem o tema em reuniões informais na sexta-feira (16) e na terça-feira (20). Nesse sentido, o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte Eleitoral, redigiu o texto.

Além disso, em nota à imprensa, o gabinete de Mendonça informou que o documento não se trata de uma iniciativa pessoal do ministro. Por outro lado, a equipe destacou que o vice-presidente assumiu a autoria da minuta porque a tradição do TSE atribui a esse cargo a redação das normas eleitorais.

“O objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

A nota acrescenta ainda que a equipe redigiu o texto a partir de um consenso interno. Além disso, o documento destaca que “os analistas adotam critérios objetivos e impessoais que valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.

Caso seja aprovada, a iniciativa deve atingir o canal “Exército do Lula”, que atingiu nesta quarta (21) a marca de 7 milhões de inscritos no aplicativo de mensagens WhatsApp. Também seria desativado o canal “Tropa do Flávio”, que possui 2 milhões de inscritos.

Proposta

A minuta aplica às plataformas de transmissão político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores as mesmas restrições vigentes para o conteúdo impulsionado. Nesse sentido, os pagamentos efetuados às redes potencializam o alcance dessas publicações de campanha.

O texto também considera haver “alcance desproporcional de canais com grande audiência na difusão de conteúdos ilícitos”.

Em outro trecho, a proposta diz ainda que “o período entre 48 horas antes e 24 horas depois da eleição concentra o maior risco de dano”. Nesse sentido, esse risco afeta diretamente a livre formação da vontade do eleitorado. Além disso, a justificativa aponta que isso ocorre por não haver tempo hábil para resposta e esclarecimento.

Por fim, o texto conclui que o prazo é insuficiente para garantir uma tutela jurisdicional efetiva. Consequentemente, a medida busca prevenir abusos durante o pleito.

Controvérsia

A proposta surge após uma disputa de liminares em torno do canal “Exército do Lula”. Na semana passada, o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, retirou o canal do ar após pedido da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro. Nesse sentido, a equipe do candidato alegou a disseminação de desinformação na plataforma.

Logo em seguida, porém, o corregedor-nacional da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal. Ele afirmou não haver elementos que justificassem a medida. Nesse sentido, o corregedor pontuou que Nunes Marques não poderia ter suspendido o canal por via administrativa.

Além disso, o ministro tomou a decisão por meio administrativo, como fez anteriormente. Por outro lado, a medida acabou tomada uma vez que o caso já tramitava pela via judicial em processo relatado pelo próprio corregedor.

Pouco depois, porém, Nunes Marques voltou a suspender o canal. Consequentemente, o ministro alegou que, mesmo sendo administrado por um apoiador, o deputado André Janones (Rede-MG), a ferramenta teria vínculo com a campanha oficial.

Por fim, a autoridade concluiu que, portanto, o canal deveria estar registrado no TSE como tal. Dessa forma, a campanha precisaria cumprir a exigência formal. Por fim, o presidente do TSE acabou liberando o Exército do Lula, após a campanha oficial realizar o registro.

Fonte: Ag. Brasil