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CFM ampliou as restrições de uso do PMMA como substância de preenchimento, proibindo seu uso para fim estético ou reparador - Foto: Conselho Federal de Medicina

CFM proíbe uso do PMMA em procedimentos de preenchimento estético

A única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/AIDS no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) ampliou as restrições de uso do PMMA (polimetilmetacrilato) como substância de preenchimento, proibindo seu uso por médicos em todo o Brasil, para fim estético ou reparador, a partir de terça-feira (02), horário de Brasília.

A única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/AIDS no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

A decisão do CFM é fundamentada em extensa revisão da literatura científica e em experiências regulatórias observadas em diversos países. A conselheira federal Graziela Bonin, relatora da resolução, afirma que, embora se utilize o PMMA há décadas em aplicações médicas específicas, seu emprego como preenchedor injetável vem apresentando complicações relevantes. Aliás,  relacionadas a características particulares que favorecem reações inflamatórias tardias, formação de granulomas. Bem como, infecções persistentes, necroses, hipercalcemia, insuficiência renal e sequelas estéticas ou funcionais irreversíveis.

Bonin destaca que muitas dessas complicações podem surgir anos após a aplicação, mesmo quando realizado por profissionais habilitados e dentro de parâmetros considerados adequados. O que denota que as complicações são decorrentes de características do produto.

Proibido em outros países

“A prática clínica e evidências científicas sólidas revelam problemas complexos decorrentes do uso de PMMA em preenchimentos cutâneos. Além disso, de partes moles por ser um material não reabsorvível e permanente. O tratamento dessas complicações frequentemente exige o uso prolongado de medicamentos imunossupressores. E, em muitos casos, procedimentos cirúrgicos complexos para retirada do material, nem sempre capazes de restaurar plenamente os danos causados”, ressalta a relatora.

Ela cita que “nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, há apenas uma marca registrada para aplicação do produto. Assim, só pode usá-lo no preenchimento do sulco nasolabial e no tratamento de cicatriz de acne. O PMMA deixou de ser utilizado em 2005 na França, em 2015 na Holanda e em 2022 na Argentina”.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), por exemplo, se manifestou contrariamente ao uso do produto para fins estéticos. Dessa forma, destaca o elevado potencial de complicações graves, irreversíveis e até fatais. Pesquisa realizada pela SBCP, ainda em  2016, já mostrava mais de 17 mil complicações registradas decorrentes de implantes com PMMA no país em um ano.

“O PMMA é uma substância que, como preenchedor, causa sequelas irreversíveis e até a morte. Aliás, o que é inadmissível quando temos produtos mais eficientes e mais seguros disponíveis para a população. O PMMA é extremamente inflamatório que fica entremeado aos tecidos saudáveis, tornando sua remoção cirúrgica um procedimento extremamente complexo que deixará possíveis sequelas”, afirma o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo.

Diferença entre o ácido hialurônico e o PMMA

A principal diferença está na duração e na segurança. O ácido hialurônico é um componente natural do corpo, temporário e reabsorvível, considerado muito seguro. O PMMA é um material sintético definitivo, que não é absorvido, tem menor custo. No entanto, apresenta maiores riscos de reações graves a longo prazo. Ademais, não há tratamento para removê-lo completamente.

Fonte: portalmie