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China pode atingir cota de importação de carne em julho e provocar uma desaceleração temporária nas exportações brasileiras Foto: CNA

China pode atingir cota de carne bovina em julho

China pode atingir cota de importação de carne em julho

A cota anual de importação de carne bovina da China pode ser atingida em julho e provocar uma desaceleração temporária nas exportações brasileiras ao país asiático. Segundo o economista e sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, o volume vendido aos chineses é grande demais para ser redirecionado rapidamente a outros destinos e poderia gerar volatilidade nos preços.

Ao mesmo tempo, o economista avalia que o sistema de cotas provoca um movimento oposto no final do ano, quando importadores chineses aceleram negociações e antecipam contratos para garantir carne assim que a nova janela de compras se abrir.

“Esse movimento que poderia pressionar novamente os preços no mercado internacional”, informou em um evento em Pedra Petra (MT), o 12º Simpósio Nutripura.

A China se tornou o principal destino da carne bovina brasileira, e atualmente, exerce influência direta sobre o comportamento do mercado global.

Crescimento da demanda chinesa nas últimas duas décadas mudou

“O crescimento da demanda chinesa nas últimas duas décadas mudou completamente a estrutura do comércio internacional de carne”, destacou o economista.

Segundo o levantamento da Secex (Secretária de Comércio Exterior), o Brasil chegou a exportar cerca de 1,7 milhão tonelada de carne bovina para a China no ano passado. No entanto, o governo chinês trabalha com uma cota anual próxima de 1,1 milhão de tonelada.

“Caso haja aplicação efetiva desse limite, o volume embarcado para o país asiático pode cair entre 500 mil a 600 mil toneladas em relação ao ritmo recente de exportações”, destacou Mendonça. O economista destaca que o número chama atenção porque representa um volume expressivo dentro da estrutura de exportações brasileiras.

Em janeiro deste ano, o Brasil foi responsável por exportar cerca de 120 mil toneladas de carne para o país asiático.

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, destacou que os avanços nos embarques de carne bovina reforçam a necessidade de o governo federal adotar um sistema de controle das exportações destinadas à China.

Desorganização na cadeia pecuária brasileira

Segundo ele, a ausência de um mecanismo oficial pode provocar desorganização na cadeia pecuária brasileira ainda no segundo semestre deste ano.

Ao mesmo tempo, o economista destaca que a produção brasileira de carne bovina também deve recuar neste ano em magnitude semelhante. A projeção da MB Agro aponta para uma queda entre 500 mil a 600 mil toneladas na produção nacional de carne bovina.

Mendonça destacou: “Na prática, isso significa que uma eventual redução nas vendas para a China poderia parcialmente compensar a menor oferta interna de carne”.

Outro elemento que entra nessa conta é um volume próximo de 300 mil toneladas de carne produzidas no ano passado que ainda aguardam entrada no mercado chinês. “Existe debate sobre se esse produto será contabilizado dentro da cota anual ou fora dela”, reforçou.

Vantagem competitiva da arroba

Apesar desse risco pontual, o Mendonça destaca que o Brasil mantém uma vantagem competitiva importante no comércio global. “A arroba brasileira segue, ainda assim, entre as mais baratas do mundo quando convertida em dólar. Isso mantém, primordialmente, o país competitivo mesmo diante de eventuais ajustes nas compras chinesas”, disse.

Ainda assim, o economista ressalta que a China continuará sendo o principal fator de influência. Ela impacta, por outro lado, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina nos próximos anos.

Diante do cenário, a expectativa do setor é positiva. O Gecex colocará em votação, em primeiro lugar, a proposta na reunião de quinta-feira (26). Ela prevê, ademais, a criação de um sistema estatal de controle para embarques da cota chinesa.

Fonte: CNN