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Neste 1º de outubro, a Organização das Nações Unidas assinala o Dia Internacional do Café. Produto tropical é o mais comercializado do mundo - Foto: Marcelo Camargo

DIA INTERNACIONAL DO CAFÉ: Cadeia de valor mais equitativa em foco

Mais do que um ritual diário, o café é um meio de subsistência crucial para milhões de pequenos agricultores

Neste 1º  de outubro, a Organização das Nações Unidas assinala o Dia Internacional do Café. O produto tropical é o mais comercializado do mundo e chega às chávenas, ou xícaras, de bilhões de pessoas todos os dias.

Mais do que um ritual diário, o café é um meio de subsistência crucial para milhões de pequenos agricultores. Apesar da procura crescente, os seus benefícios e riscos não são repartidos equitativamente, assinala a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO.

Um produto do solo e dos ensinamentos de gerações

Cada xícara de café começa no solo, no conhecimento e no trabalho das comunidades agrícolas. Dos campos e florestas aos portos, cafés e lares, o café liga pessoas, atravessando fronteiras, comunidades e gerações.

De acordo com dados da FAO, até 25 milhões de agregados familiares dedicados à produção de café, em grande parte situados em países em desenvolvimento, produzem cerca de 80% do café mundial.

O Brasil, o Vietnã e a Colômbia lideram a produção mundial, ao somar cerca de 60% do total global. O país lusófono destaca-se enquanto maior produtor mundial com  cerca de 35% da produção global do grão.

Riscos, rendimentos e justiça

A FAO sublinha que as exportações de café representam uma importante fonte de receitas para países de baixo rendimento. Desse modo, gera reservas de moeda estrangeira essenciais para garantir o acesso aos mercados globais.

No entanto, a instabilidade do comércio, o aumento dos custos e a distribuição desigual de rendimentos ao longo da cadeia de valor podem deixar milhões de pequenos produtores suportando os maiores riscos, recebendo apenas uma parcela limitada do valor criado pelo seu trabalho.

Dado que uma grande parte do café mundial é exportada numa fase inicial da cadeia de valor, uma parcela substancial da torrefação, da criação de marcas e de outras atividades que acrescentam valor ocorre fora dos países produtores, contribuindo para o acentuar de disparidades.

Por uma cadeia de valor mais justa

A FAO sublinha que uma cadeia de valor mais justa depende de relações comerciais transparentes e equilibradas. Bem como de trabalho digno, da criação de valor local e de investimento inclusivo.

Para a agência da ONU, o acesso a rendimentos adequados pode reforçar os meios de subsistência dos agregados produtores, contribuindo para a sua segurança alimentar, resiliência e redução de desigualdades.

Esta perspetiva reflete a descrição da agência sobre o papel do café nos meios de subsistência rurais, no emprego e na redução da pobreza, segundo a qual uma economia de café mais justa deve oferecer aos produtores melhores condições para satisfazer as suas necessidades e planear o futuro.