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Distinguir o que é realidade na internet tem sido um desafio cada vez maior, e essa dificuldade também diz respeito ao público adolescente Foto: Freepik

O que é real na internet? IA já confunde adolescentes, diz pesquisa

Distinguir o que é realidade na internet tem sido um desafio

Em um cenário online dominado por conteúdos criados por inteligência artificial, distinguir o que é realidade ou fabricado na internet tem sido um desafio cada vez maior. Essa dificuldade também diz respeito ao público adolescente que, mesmo já tendo nascido na era da Internet, nem sempre possui repertório crítico suficiente para identificar manipulações, informações enganosas e montagens que circulam pelas redes.

Nesse sentido, o letramento digital surge como uma urgência para o público. A competência, que envolve saber utilizar e interpretar de forma crítica as ferramentas tecnológicas, é fundamental para participar dos ambientes online de forma consciente, ética e responsável.

IAs enganam até nativos digitais?

O relatório “Adolescentes, confiança e tecnologia na era da IA”, realizado pela Common Sense Media, com base em uma pesquisa com 1.045 adolescentes dos Estados Unidos entre 13 e 18 anos, indica que 35% deles já foram enganados por conteúdos falsos.

De acordo com Marco Giroto, fundador do SuperGeeks, pessoas nessa faixa etária são nativos digitais. Isso vale, principalmente, no sentido do consumo. Por outro lado, não são nativos digitais no sentido da produção de conteúdo, ou seja, não dominam o funcionamento desse tipo de tecnologia.

“A IA generativa evoluiu muito mais rápido do que a educação consegue acompanhar. Hoje, um vídeo deepfake ou uma imagem gerada pode ser indistinguível de algo real para qualquer pessoa sem treinamento específico. O adolescente ainda está construindo esse repertório”, ressalta Marco.

Quando ainda existe dificuldades em estabelecer a distinção entre o que é real ou não, o adolescente está exposto a riscos como a desinformação, golpes, distorção da realidade e efeitos psicológicos, como o abalo da autoestima, por exemplo.

IA além da política

Os efeitos indesejados da Inteligência Artificial costumam ganhar destaque no cenário político, principalmente por conta da divulgação de fakenews e deepfakes. No entanto, o problema não está limitado às eleições: no dia a dia, conteúdos aparentemente banais produzidos por IA também podem manipular as percepções dos adolescentes.

Um exemplo disso é a distorção de imagens para a prática de bullyng nas escolas. Em 2025, estudantes de Belo Horizonte tiveram suas fotos transformadas em imagens pornográficas e comercializadas em grupos de trocas de mensagens, como noticiou o G1. O caso evidencia como a tecnologia, quando usada de forma irresponsável, pode ampliar a violência digital.

Letramento digital como solução estrutural

Com a expansão da IA generativa, o letramento digital toma o centro da discussão, sobretudo na formação de crianças e adolescentes. Segundo Marco Giroto, em primeiro lugar, trata-se de compreender algo essencial. Qualquer conteúdo consumido, por sua vez, pode ter sido criado ou, ainda, modificado por algoritmos. Também pode ser, do mesmo modo, amplificado com um objetivo específico. Esse objetivo pode ser, por exemplo, vender, engajar, convencer ou, por fim, manipular.

Ainda conforme o fundador do SuperGeeks, a base está, acima de tudo, na lógica da programação. “Quando uma criança aprende, consequentemente, a decompor um problema em etapas, ela testa hipóteses. Também depura erros no código, desenvolvendo raciocínio protetor contra sistemas desconhecidos”, afirma.

Por meio desse repertório, o indivíduo desenvolve raciocínio estruturado e cria distância crítica em relação à tecnologia.

Por fim, Giroto também defende que escolas abordem conceitos de machine learning e incentivem a criação com IA, para que os estudantes deixem de ser apenas consumidores e passem a exercer comandos de forma consciente sobre essas ferramentas.

Fonte: TechTudo