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Edição genética reduz níveis de colesterol LDL em pacientes com predisposição genética a doenças cardíacas após uma única infusão Imagem: Shutterstock

Edição genética única reduz colesterol em até 62% e pode revolucionar tratamento cardíaco

Edição genética reduz níveis de colesterol LDL

Um tratamento experimental de edição genética conseguiu reduzir drasticamente os níveis de colesterol LDL (o chamado “colesterol ruim”) em pacientes com predisposição genética a doenças cardíacas após uma única infusão. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, mostram que a dose mais alta do tratamento reduziu o LDL em até 62% — e os efeitos se mantiveram por pelo menos 18 meses em um subgrupo de participantes.

O estudo ainda é preliminar, mas seus autores esperam que, se confirmado em ensaios maiores, o método possa oferecer uma forma definitiva de prevenir doenças cardiovasculares, que matam cerca de 800 mil pessoas por ano nos Estados Unidos.

Como funciona a “máquina molecular”

A terapia consiste em uma infusão contendo uma espécie de fábrica molecular envolta em uma camada de gordura. Nesse sentido, o tratamento é inovador. Essas partículas viajam pela corrente sanguínea diretamente até o fígado. Dessa forma, as células hepáticas absorvem a substância com facilidade. Além disso, o processo avança para o interior da estrutura biológica. Assim, uma vez dentro da célula, a máquina de edição percorre o DNA.

Contudo, a ferramenta possui um alvo muito específico no organismo. O mecanismo atua até encontrar o gene PCSK9. Por isso, a tecnologia realiza uma modificação direta na estrutura. Com efeito, ela apaga uma letra do código genético e a substitui por outra. Por fim, trata-se de uma alteração minúscula que, na prática, desativa o gene. Deste modo, o procedimento interrompe o ciclo anterior.

Nesse contexto, com o gene PCSK9 desligado, as células do fígado param de produzir a proteína correspondente. De fato, a mudança é sistêmica. Dessa forma, sem essa proteína, o órgão remove mais colesterol LDL da corrente sanguínea. Assim, o corpo mantém os níveis mais baixos de forma duradoura.

Níveis elevados de LDL já podem ser tratados com medicamentos tradicionais (estatinas diárias) ou com injeções periódicas que bloqueiam a proteína PCSK9. Mas a adesão é um problema grave: entre um terço e metade dos pacientes interrompe o tratamento dentro de um ano, mesmo aqueles que já sofreram ataques cardíacos.

A edição genética oferece a perspectiva de uma intervenção única, o que poderia mudar radicalmente a vida de pessoas que têm dificuldade de seguir regimes de medicação prolongados.

O estudo foi liderado pelo Dr. Sekar Kathiresan, cardiologista e diretor executivo da Verve Therapeutics. Sua motivação é pessoal: seu avô, seu pai, um tio e seu irmão sofreram ataques cardíacos. O irmão morreu aos 42 anos, logo após voltar de uma corrida.

Próximos passos e segurança

A análise atual é interina e envolveu 35 pacientes de um total de 85 previstos para o ensaio. Em seguida, os pesquisadores planejam um estudo maior, com 200 participantes. O New England Journal of Medicine raramente publica resultados preliminares como este, mas o editor-chefe, Dr. Eric Rubin, justificou a decisão: “Parece que funciona muito bem”.

Ainda assim, especialistas pedem cautela. O Dr. J. Michael Gaziano, diretor de cardiologia preventiva do sistema de saúde VA de Boston, observou em entrevista ao The New York Times que há necessidade de mais dados de segurança. A FDA exige que todos os participantes de estudos de terapia gênica sejam acompanhados por 15 anos.

Os pesquisadores da Verve afirmam que o tratamento, se aprovado, não terá os custos multimilionários típicos das terapias genéticas para doenças raras. “Não é isso que buscamos aqui”, disse o Dr. Daniel Skovronsky, cientista-chefe da Eli Lilly. “Buscamos um medicamento que um dia possa fazer parte da atenção primária à saúde.”

Fonte: olhardigital