Entenda os perigos da inflamação crônica
Existe um tipo de inflamação muito mais silencioso e perigoso que as inflamações passageiras: a inflamação crônica de baixo grau. Ela pode permanecer ativa por anos sem dar sinais evidentes e está associada a várias das doenças que mais afetam a população hoje, como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC, gordura no fígado, alguns tipos de câncer e até doenças neurodegenerativas.
O que a ciência já sabe sobre esse processo
Nos últimos anos, a ciência tem demonstrado que essa inflamação pode ser um dos principais fatores por trás do envelhecimento precoce e da perda de saúde ao longo da vida.
Um estudo publicado em 2025 na revista Nature Medicine, acompanhou mais de 100 mil pessoas por 30 anos e observou que aquelas com uma alimentação rica em vegetais, frutas, oleaginosas, peixes e grãos integrais tinham mais que o dobro de chances de chegar aos 75 anos com boa saúde física e mental.
Outro estudo, publicado no JAMA (The Journal of the American Medical Association), mostrou que quem segue mais de perto a dieta mediterrânea, baseada em alimentos in natura, ricos em antioxidantes e gorduras boas, apresentou uma redução de 23% no risco de morte por todas as causas.
Mas o que faz essa inflamação surgir?
A resposta está, em boa parte, no estilo de vida moderno. O consumo frequente de ultraprocessados, o excesso de açúcar, o sedentarismo, as noites mal dormidas, o estresse constante, o tabagismo e o álcool em excesso criam um ambiente que mantém o organismo em estado de alerta permanente. Como consequência, o corpo passa a produzir substâncias inflamatórias de forma contínua, afetando diferentes órgãos e sistemas.
Uma das grandes protagonistas desse processo é a gordura visceral, aquela que se acumula dentro do abdômen, ao redor dos órgãos, e que está diretamente ligada aos hábitos citados acima. Diferentemente da gordura localizada logo abaixo da pele, a gordura visceral é metabolicamente ativa.
Ela libera substâncias inflamatórias que aumentam o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. Pessoas com peso aparentemente normal também podem ter excesso de gordura visceral e estar sob maior risco. Por isso, o número da balança nem sempre conta toda a história.
Como identificar e reduzir a inflamação no dia a dia
Embora silenciosa, a inflamação crônica pode ser identificada. Alguns exames laboratoriais ajudam a detectá-la antes mesmo do surgimento de doenças. Um dos mais utilizados é a proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us), capaz de revelar níveis discretos de inflamação no organismo. Sinais como o aumento da circunferência abdominal, alterações da glicose e resistência à insulina também podem indicar que o corpo já vem sofrendo os efeitos desse processo.
A boa notícia é que dá para combater a inflamação crônica, com estratégias específicas e acompanhamento profissional. Pequenas mudanças trazem grandes resultados, desde que feitas de forma consistente. Deve-se priorizar alimentos naturais. Além disso, é fundamental aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes. Ademais, recomenda-se incluir azeite de oliva, peixes e castanhas na rotina. Por conseguinte, deve-se praticar atividade física com regularidade. Portanto, é igualmente importante dormir bem. Por fim, é preciso controlar o estresse.
A ciência também mostra que não importa apenas o que comemos, mas também quando comemos. Respeitar os ritmos naturais do organismo pode ajudar no controle da inflamação, como evitar carboidratos de má qualidade no fim do dia.
Talvez o maior desafio da medicina atual não seja apenas tratar doenças, mas impedir que elas apareçam. Por isso, entender e controlar a inflamação crônica é tão importante para promover saúde, prevenir doenças e envelhecer com mais qualidade de vida. Esse inimigo invisível pode agir silenciosamente por muitos anos, mas, felizmente, há muito que podemos fazer para mantê-lo sob controle.
Fonte: SBT



