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Estados Unidos divulgaram o resultado que apontou que 60 países, incluindo o Brasil, por produtos fabricados com trabalho forçado - Foto: José Cruz/EBC

Estados Unidos propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Governo norte-americano recomendou a imposição de uma tarifa extra de 12,5% sobre todas as mercadorias provenientes dessas nações

Os Estados Unidos divulgaram que o resultado de uma investigação que apontou que 60 países, incluindo o Brasil, não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir e monitorar a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Desse modo, o governo norte-americano recomendou a imposição de uma tarifa extra de 12,5% sobre todas as mercadorias provenientes dessas nações.

A medida, portanto, foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Assim, tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração teve início em março deste ano e utilizou o mesmo instrumento legal que embasa a proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros.

Até o momento, não há informações sobre a possibilidade de as novas tarifas serem acumuladas com as taxas já anunciadas. Aliás, a proposta será submetida a consulta pública. Interessados poderão solicitar participação nas audiências até 22 de junho. Em seguida, enviar contribuições por escrito até 6 de julho. As audiências estão marcadas para 7 de julho. A decisão sobre aplicação ou não das tarifas, entretanto, cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Conforme o relatório, embora o Brasil afirme proibir importações produzidas com trabalho forçado por meio da implementação de compromissos assumidos em acordos de investimento e de livre comércio, “essas disposições não vedam legalmente a importação, para comercialização no mercado doméstico, de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países”.

Assim, o USTR indica que a conduta do Brasil em relação ao trabalho forçado é injustificável e impõe obstáculos ou restrições ao comércio dos EUA.

IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional)

Pela decisão desta quarta, o Brasil está na categoria dos países que, conforme o USTR, não proíbem a importação de produtos feitos com trabalho forçado. Assim também, não fiscalizam efetivamente esse tipo de importação. Nesta categoria, estão outros 53 países.

Enquanto outras seis economias, como Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia, estão em uma categoria diferente. Conforme o escritório, eles já possuem algum tipo de proibição ou mecanismo legal contra a importação de produtos produzidos com trabalho forçado, mas não fazem a fiscalização de forma eficaz. O problema, nesse caso, seria a implementação, não a ausência de legislação. Para estes países, eles devem ser taxados em 10%.

De acordo com Jamieson Greer, representante dos EUA para o comércio, “a falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais essa disparidade”.

O caso para investigar o suposto uso de trabalho forçado foi aberto logo após o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), que foi usada pelo governo Trump para taxar dezenas de países, ser considerada ilegal pela Suprema Corte dos EUA, em março.

Brasil possui um sistema jurídico robusto

Como reação à determinação judicial, o republicano impôs uma tarifa global de 10%, que expira no final de julho e o Brasil entrou na mira de outra ação do USTR. Ou seja, iniciada neste ano, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.

Por isso, Vieira afirmou que o Brasil possui um sistema jurídico robusto que vai além das normas internacionais. O Código Penal brasileiro faz uso do conceito de “condição análoga à de escravo”, que é ainda mais amplo do que a definição de trabalho forçado da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Incluindo condições degradantes, jornadas exaustivas e restrição de locomoção.

Entre os instrumentos citados está a chamada lista suja do trabalho escravo, que impõe restrições reputacionais e financeiras a empresas flagradas em irregularidades. Além disso, a exclusão de infratores de licitações públicas.

O ministro apresentou ainda dados de 2025, como a realização de 1.594 inspeções que resultaram no resgate de 2.772 trabalhadores. Portanto, argumentou que altos números de detecção são sinais de um sistema de fiscalização proativo e não de uma alta incidência do problema.

O Brasil também alega que suas políticas não prejudicam o comércio americano e que o país não representa risco relevante como destino de produtos barrados pelos Estados Unidos por questões trabalhistas.

Em seguida, veja a lista dos países

  1. Argélia
  2. Angola
  3. Argentina
  4. Austrália
  5. Bahamas
  6. Bahrein
  7. Bangladesh
  8. Brasil
  9. Camboja
  10. Canadá
  11. Chile
  12. China
  13. Colômbia
  14. Costa Rica
  15. República Dominicana
  16. Equador
  17. Egito
  18. El Salvador
  19. União Europeia
  20. Guatemala
  21. Guiana
  22. Honduras
  23. Hong Kong, China
  24. Índia
  25. Indonésia
  26. Iraque
  27. Israel
  28. Japão
  29. Jordânia
  30. Cazaquistão
  31. Kuwait
  32. Líbia
  33. Malásia
  34. México
  35. Marrocos
  36. Nova Zelândia
  37. Nicarágua
  38. Nigéria
  39. Noruega
  40. Omã
  41. Paquistão
  42. Peru
  43. Filipinas
  44. Catar
  45. Rússia
  46. Arábia Saudita
  47. Singapura
  48. África do Sul
  49. Coreia do Sul
  50. Sri Lanka
  51. Suíça
  52. Taiwan
  53. Tailândia
  54. Trinidad e Tobago
  55. Turquia
  56. Emirados Árabes Unidos
  57. Reino Unido
  58. Uruguai
  59. Venezuela
  60. Vietnã

Fonte: otempo