Para interpretar esses sinais, os pesquisadores aplicaram modelos de aprendizado de máquina capazes de reconhecer padrões de odores associados a diferentes alimentos. Inclusive frutas, oleaginosas como noz, amêndoa e amendoim. Além disso, itens como leite, ovos e frango cru em diferentes condições de conservação.
O sistema também consegue diferenciar alimentos frescos daqueles deixados em temperatura ambiente por períodos de 24 e 48 horas. Dessa forma, permite a identificação de estágios de deterioração.
Conforme os dados do estudo, o equipamento demonstrou capacidade de detectar quantidades muito pequenas de substâncias. Por exemplo, frações de noz equivalentes a cerca de um centésimo de uma unidade comum do alimento.
Materiais, limitações e desenvolvimento tecnológico
A construção do sensor recorreu a nanotubos de carbono como material condutor, substituindo óxidos metálicos tradicionalmente utilizados em sensores de gás. Essa escolha permitiu o funcionamento à temperatura ambiente e maior sensibilidade.
O método de fabricação adotado pelos pesquisadores envolveu a deposição de filmes sensíveis em uma única etapa, simplificando o processo de produção. A arquitetura do sistema também possibilitou o uso de materiais que poderiam se degradar sob altas temperaturas.
Apesar dos avanços, o estudo aponta que ainda não foram realizados testes em ambientes com mistura complexa de gases, como cozinhas ou refrigeradores com múltiplos alimentos simultaneamente, o que pode influenciar a precisão do sistema em condições reais.
Aplicações futuras e uso em alimentos do dia a dia
Entre as aplicações previstas, os pesquisadores destacam o uso em refrigeradores inteligentes capazes de monitorar a qualidade dos alimentos e alertar o consumidor sobre possíveis riscos de consumo, como deterioração iminente de vegetais, carnes e laticínios.
O sistema também foi treinado para identificar compostos associados a alergênicos como nozes e amendoim, o que abre a possibilidade de uso na prevenção de reações adversas em pessoas sensíveis a determinados alimentos.
O dispositivo já conta com uma versão portátil experimental integrada a um aplicativo de celular, o que amplia as possibilidades de uso fora de ambientes laboratoriais.
Quem participou da pesquisa e sua publicação
O estudo teve a liderança de Carla Bassil, doutoranda da Universidade da Califórnia em Berkeley, vinculada a um grupo de pesquisa em engenharia elétrica e ciência da computação. O trabalho também contou com a colaboração de outros pesquisadores da instituição e de uma universidade parceira na Coreia do Sul.
A pesquisa integra um grupo maior dedicado ao desenvolvimento de sensores avançados e foi publicada na revista científica Science Advances. Dessa forma, consolida a validação acadêmica dos resultados apresentados.
Fonte: olhardigital