Organização financeira para 2026 com 5 passos essenciais
Para entrar em 2026 com o bolso à prova de crise é preciso agir desde agora, com um planejamento de organização financeira. Assim, é necessário mais do que apenas cortar gastos ou anotar metas financeiras: é fundamental olhar para trás e elaborar um planejamento estratégico, apontam especialistas ouvidos pelo Valor Investe.
Para ajudar nesse caminho das pedras, reunimos cinco passos para realizar a organização financeira de 2026.
Revisar o ano anterior é o ponto de partida
Revisar o ano anterior não é opcional, e sim ponto de partida, é a visão de Thiago Brehmer, mestre em finanças pessoais e sócio da consultoria e auditoria tributária CLA Brasil.
O conselho do especialista é que, antes de projetar 2026, é crucial identificar padrões financeiros de 2025, positivos e negativos.
“Esse diagnóstico revela distorções, despesas que cresceram acima da renda e ajustes necessários. Sem dados concretos, planejamento vira palpite, e não estratégia”, ressalta ele.
A recomendação é montar um balanço pessoal que consiga trazer números que mostrem um retrato financeiro do que foi 2025. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, pondera que sem um balanço claro do que aconteceu ao longo do ano, o planejamento para 2026 tende a se apoiar em percepções subjetivas, e não em dados reais.
Veja perguntas para montar o próprio balanço:
- Quanto entrou de dinheiro;
- Quanto saiu de dinheiro;
- Qual foi a evolução do patrimônio;
- Quanto se acumulou em reservas;
- Quanto se reduziu ou aumentou em dívidas;
Belitardo acrescenta, portanto, também olhar extratos bancários, faturas de cartão, contratos de crédito e saldos de investimentos. Assim, permite identificar padrões de comportamento. Por outro lado, entende se houve evolução financeira real ou apenas manutenção em um ambiente de renda maior.
2. Cuidado com os gastos invisíveis
É justamente após o balanço que aparecem os chamados “gastos invisíveis”, que são despesas recorrentes, de pequeno valor individual, mas que, somadas, geram um impacto relevante no orçamento anual.
Os especialistas comentam que os mais comuns são:
- Assinaturas esquecidas, como serviços de streaming, apps ou clubes que deixaram de ser usados;
- Pacotes de serviços bancários ou financeiros caros e subutilizados;
- Tarifas e juros de cartão de crédito por atraso ou parcelamento automático;
- Gastos de baixo valor, como delivery frequente, aplicativos de transporte usados sem critério e compras impulsivas online.
Prova disso é que, primeiramente, uma pesquisa divulgada este ano apontou os custos. Além disso, os gastos mensais com plataformas de streaming, por exemplo, podem consumir bastante. Assim, equivalem a 7% da renda do brasileiro que ganha o salário mínimo.
“Um gasto subestimado que, se eliminado ou reduzido, é uma das formas mais rápidas e eficazes de liberar caixa para poupança em 2026, sem necessidade de aumentar renda”, detalha o gestor da Hike. Além disso, eliminar esses custos evita cortes drásticos em áreas realmente úteis.
3. Elabore as metas financeiras de 2026
Segundo Brehmer, as metas devem ser definidas logo após o diagnóstico inicial e antes da finalização do orçamento. “Primeiro, você entende sua realidade financeira; depois estabelece seus objetivos; e só então ajusta o orçamento para acomodá-los”, diz.
Aqui, vale priorizar metas claras, que funcionam como direcionadores e facilitam a disciplina, reduzem a sensação de sacrifício e tornam o planejamento mais tangível. “Quando a pessoa sabe exatamente o que quer, como quitar uma dívida, construir reserva ou investir em capacitação, o processo deixa de ser mera planilha e passa a ter propósito”, enfatiza o mestre em finanças pessoais.
Justamente por isso, Belitardo ressalta que as metas precisam dialogar com a realidade financeira identificada no diagnóstico e com a capacidade mensal de poupança.
4. Construa um orçamento realista
Depois, é preciso transformar a revisão em números concretos, organizando um orçamento mensal realista. Segundo Belitardo, não se trata de um orçamento rígido, mas de um mapa financeiro que permita decisões conscientes ao longo do ano, “algo especialmente relevante em um cenário de juros ainda elevados no Brasil e maior custo do crédito para pessoas físicas”, diz ele.
Isso significa estruturar uma organização com:
- Despesas fixas e variáveis;
- Projetar a renda líquida esperada;
- Definir quanto pode ser destinado à construção de patrimônio e às metas.
Para quem está endividado, a prioridade deve ser o pagamento de dívidas caras, especialmente aquelas atreladas a juros elevados, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. No entanto, Belitardo ressalta que isso não significa ignorar completamente a poupança ou os investimentos.
“A prática mais saudável é buscar um equilíbrio: reduzir agressivamente dívidas de alto custo enquanto se constrói, mesmo que de forma modesta, uma reserva de emergência. Isso evita o ciclo de recorrer novamente ao crédito em imprevistos e é coerente com o ambiente atual, em que manter liquidez é tão importante quanto desalavancar”, detalha o gestor.
5. Cuidado com o efeito “inflação do estilo de vida”
Um erro comum após a virada de ano é que, normalmente, trabalhadores recebem aumento salarial no fim do ano e esse valor acaba sendo incorporado imediatamente em novos gastos, efeito chamado de “inflação de estilo de vida”, descreve Brehmer.
Esse efeito é arriscado porque quanto mais se ganha, mais se quer gastar e, com esse tipo de comportamento, o aumento de ganhos desaparece em novos gastos e a renda “extra” não vira patrimônio, mas apenas um meio para financiar mais consumo.
Por isso, os especialistas apontam que o uso mais inteligente é:
- Direcionar uma parte para acelerar metas financeiras já definidas, como reforçar a reserva, bem como aumentar investimentos ou antecipar o pagamento de dívidas caras;
- E se a pessoa já tem base organizada, o aumento pode apoiar metas de médio e longo prazo, como formação profissional, aposentadoria ou construção patrimonial.
“Esse efeito é poderoso porque melhora a taxa de poupança sem gerar a sensação de perda no orçamento, criando um novo patamar financeiro mais sólido para 2026. Em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas e ajustes de política monetária, essa postura tende a ser o diferencial entre apenas ganhar mais e, de fato, enriquecer ao longo do tempo”, reforça Belitardo.
Fonte: Valor Investe


