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O preço do boi gordo no Estado de São Paulo, um dos mercados de referência no país, atingiu ​um patamar recorde - Foto: Mapa/Istock

Preço do boi gordo atinge patamar recorde no Brasil

A alta do preço do boi no país tem potencial de ⁠apertar as margens de grandes frigoríficos

O preço do boi gordo no Estado de São Paulo, um dos mercados de referência no país, atingiu ​um patamar recorde na quarta-feira, ao mesmo tempo em que ​o Brasil exportou volumes nunca vistos no primeiro trimestre do ano com impulso da demanda da China, de acordo com análise e dados do centro de estudos Cepea.

A arroba do boi gordo foi cotada na véspera em R$ 365, segundo indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Ou seja, o maior nível da série iniciada em 1997.

A alta do preço do boi no país, maior produtor e exportador global de carne bovina, tem potencial de ⁠apertar as margens de frigoríficos, que incluem JBS, ​MBRF e Minerva. Além disso, pode resultar em pressões inflacionárias, dependendo do repasse dos custos ​das empresas aos consumidores. Para o exterior, os preços da carne bovina exportada pelo Brasil também estão em ⁠alta, aliviando parte do impacto do custo.

A cotação diária ⁠de R$ 365 da arroba bovina superou médias mensais da série histórica, considerando números deflacionados, segundo ​dados ‌do Cepea. Desse modo, demonstra as condições de um mercado que também tem perspectiva de uma oferta mais enxuta de animais ⁠para abate por conta do ciclo pecuário.

China continua o principal destino da carne brasileira

A arroba está mais de R$ 10 mais cara em relação ao início de março, na medida em que as exportações brasileiras de carne bovina in natura vêm mantendo neste início de 2026 “o ritmo intenso ‌que ⁠foi observado ao longo ‌de 2025”, quando o país teve uma máxima histórica, disse o Cepea.

“O volume embarcado no primeiro trimestre deste ano é o maior para o período. Esse cenário externo favorável contribuiu diretamente para a sustentação dos preços do boi ⁠gordo no mercado interno ao longo de março”, disse o ⁠relatório da equipe do pesquisador do Cepea Thiago de Carvalho.

De janeiro a março de 2026, o Brasil exportou 701,662 mil toneladas de carne ‌bovina in natura, volume 19,7% superior ao do mesmo período de 2025. Bem como de 36,6% acima do registrado em 2024, afirmou o Cepea, citando dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A China continua sendo o principal destino da carne brasileira, adquirindo 325,415 mil toneladas, aumento de 16,3% frente ao primeiro trimestre de 2025.

Mas os embarques também estão ‌mais altos para outros importantes destinos, como Estados Unidos e Chile.

Além do aumento nos volumes, o Cepea chamou a atenção para a valorização da carne brasileira no mercado internacional. Em março, o preço médio pago por ⁠tonelada foi de US$ 5.814,80, alta de 3,1% em relação a fevereiro e de 18,7% frente a março de 2025, conforme os dados do governo.

Mercado interno

No mercado atacadista da carne com osso na Grande São Paulo, os preços também ​avançam. Dessa forma, reflete a valorização da arroba e o aumento dos cortes do dianteiro, segundo o Cepea.

Nesta terça-feira, a carcaça ​casada bovina teve média à vista de R$ 24,80/kg, com alta de 1,47% na parcial do mês.

Para os cortes traseiro, dianteiro e ponta de agulha, os valores médios do quilo foram, respectivamente, de R$ 28,09/kg, R$ 22,21/kg e R$ 20,58/kg. Ou seja, aumentos de 0,75%, 2,40% e 2,24% na parcial de abril.

Fonte: cnn