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Seaf-MT fortalece rota do café no estado. Foram validadas variedades de clones de alta performance que garantem produtividade recorde Foto: Seaf-MT

Seaf fortalece Rota do Café, impulsiona nova fronteira produtiva e reposiciona Mato Grosso no cenário nacional da cafeicultura

Seaf-MT fortalece rota do café no estado

Após cinco anos de pesquisas da “Rota do Café“, a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), consolidaram (9) um marco para a cafeicultura mato-grossense.

Foram validadas variedades de clones de alta performance que garantem produtividade recorde e qualidade superior para o mercado. A expedição técnica, encerrada em Nova Monte Verde, percorreu os municípios estratégicos de Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu, Juína e Nova Bandeirante entregando aos produtores locais o suporte tecnológico necessário para transformar a economia regional.

Durante a rota, propriedades rurais foram visitadas e produtores tiveram a oportunidade de dialogar diretamente com os pesquisadores, conhecendo na prática os avanços tecnológicos e as possibilidades de ampliação da cafeicultura na região.

A “Rota do Café”, apoiada pela Seaf-MT, foi idealizada pelos pesquisadores Danielle Müller, Dalilhia Nazaré dos Santos e Wininton Mendes, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), além de prefeituras municipais, sindicatos rurais, associações de produtores, cooperativas e instituições de ensino e pesquisa.

Acesso ao conhecimento técnico

Produtor no município de Cotriguaçu, Seo Vilson Bortolini destacou a importância do acesso ao conhecimento técnico. “Eu sempre fui muito curioso e gostei de ir em frente. Quando soube que os pesquisadores estariam aqui, chamei meu filho e minha nora para conhecer os resultados. Antes, trabalhávamos com café, mas sem muito conhecimento. Hoje, com o cultivo agroflorestal e apoio técnico, alcançamos resultados muito melhores. Essa atenção do Governo de MT com os produtores da agricultura familiar é realmente motivadora”, afirmou.

O engenheiro agrônomo Adalberto Junior, produtor rural e atual secretário de Agricultura e Pecuária de Juína, ressaltou a trajetória da cultura cafeeira no município. Além disso, destacou a importância histórica do café para a economia local desde a colonização. Segundo ele, desde a colonização, em 1979, o café sempre esteve presente na economia local, chegando a contar com 15 milhões de pés. Dessa forma, a cultura marcou o desenvolvimento da região ao longo de décadas.

Após um período de declínio, a retomada com o café clonal trouxe novos resultados, tanto em produtividade quanto em qualidade. Portanto, o investimento em variedades melhoradas reativou o interesse dos produtores. “Hoje temos cerca de três milhões de pés, com produtividade entre 60 e 100 sacas por mil pés. Isso é resultado do acompanhamento técnico da Empaer e dos investimentos da Seaf em máquinas, insumos e implementos, em parceria com a prefeitura”, destacou. Assim, a articulação entre Estado, pesquisa e gestão municipal fortalece a cadeia produtiva.

Famílias organizadas na produção de café

Ele também citou o distrito Terra Rocha, onde cerca de 300 famílias estão organizadas na produção de café. Além disso, enfatizou a presença de infraestrutura para beneficiamento e colheita mecanizada, que aumenta eficiência e reduz perdas. “O produtor que planta três mil pés já consegue uma renda significativa. Isso tem trazido as famílias de volta para o campo, graças ao apoio do Governo do Estado”, completou. Dessa maneira, o incentivo institucional contribui para a fixação de população e o desenvolvimento social nas áreas rurais.

Outro exemplo é o produtor Wellington Zock, de Castanheira, que participou do evento em Juína, iniciou o cultivo em 2023 e realizou a primeira colheita em 2025. Além disso, ele destacou a importância de contar com pesquisas adaptadas à realidade da região.

“Ter acesso a uma pesquisa validada para nossa região fará toda a diferença. Agora, aprendi a classificar melhor as variedades e melhorar a produção”, disse. Dessa forma, a experiência demonstra como o conhecimento técnico eleva a qualidade e a rentabilidade da lavoura.

De Santa Terezinha, o produtor Julio Cezar percorreu cerca de 950 km para participar do evento, mostrando o interesse em novas alternativas de produção. Por isso, avaliou positivamente as informações recebidas durante a programação.

“A palestra foi muito esclarecedora. Mesmo sendo uma região mais quente e diferente de Minas Gerais, fiquei animado ao ver que é possível investir no café no Araguaia”, relatou. Assim, o compartilhamento de experiências viabiliza a replicação de boas práticas em diferentes ambientes produtivos.

O secretário de Agricultura de Santa Terezinha, Diego Comel, também destacou o potencial da cultura, reforçando a aposta na cafeicultura local. Dessa forma, “A questão da polinização chamou muito a atenção para alcançar boa produtividade. Vamos levar esse conhecimento para nossa região e incentivar os produtores com base nas novas tecnologias”, afirmou.

Parceria com o Governo do Estado

O prefeito de Nova Monte Verde, Marino, ressaltou a parceria com o Governo do Estado, destacando o apoio contínuo da Seaf e da Empaer. Além disso, ele enfatizou que a agricultura familiar é fundamental para a segurança alimentar e o desenvolvimento de Mato Grosso.

Durante o evento, o município lançou o Programa Municipal de Incentivo à Cafeicultura (Procaf), voltado ao fortalecimento da produção de café. Dessa forma, a iniciativa busca gerar oportunidades concretas para os pequenos produtores locais.

O programa prevê apoio direto aos pequenos produtores com fornecimento de mudas, calcário, preparo do solo, assistência técnica e equipamentos. Portanto, cobre desde a implantação até o manejo adequado da lavoura, contribuindo para maior qualidade e produtividade.

O programa deve atender até 20 agricultores por ano, com foco na geração de renda e no fortalecimento da agricultura familiar. Além disso, reforça o incentivo à produção sustentável, alinhando lucro, responsabilidade ambiental e preservação de recursos naturais.

“É uma oportunidade concreta de impulsionar a cafeicultura no município, com critérios técnicos e responsabilidade na execução”, destacou o prefeito. Assim, a gestão municipal sinaliza compromisso com ações planejadas, acompanhamento e resultados mensuráveis para a atividade.

Conforme a pesquisadora Danielle Muller, as pesquisas em outras regiões do estado devem continuar. “O nosso estado é imenso, nós temos sim a perspectiva de iniciar pesquisas para outras regiões”, anunciou.

Para a Seaf, a “Rota do Café” representa mais um avanço no fortalecimento das políticas públicas voltadas à agricultura familiar, promovendo inovação, aumento de produtividade e melhoria na qualidade de vida dos produtores rurais mato-grossenses.