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SUS terá cirurgia para tratar glaucoma e catarata simultaneamente. Nova técnica é direcionada para casos leves e moderados Foto: Rafael Nascimento/MS

SUS vai oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata ao mesmo tempo

SUS terá cirurgia para tratar glaucoma e catarata simultaneamente

Ministério da Saúde oficializou a incorporação de uma nova técnica de cirurgia ao Sistema Único de Saúde (SUS) capaz de tratar, simultaneamente, o glaucoma e a catarata. Publicada no Diário Oficial da União (17), a portaria atualiza o tratamento dessas doenças e permite a remoção do cristalino e a desobstrução do canal de drenagem ocular em uma única intervenção.

A modernização foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) da pasta junto à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A deliberação favorável ocorreu no último dia 21 de agosto.

A nova técnica direciona-se para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto, destacando-se por ser menos invasiva que as opções atuais. Entre os principais benefícios, ela apresenta recuperação mais rápida, redução no risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular, que pode causar cegueira se não for tratada.

Compromisso do SUS

“Além de ampliar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, essa inovação otimiza recursos públicos e reforça o compromisso do SUS de levar o que há de mais avançado na medicina para quem mais precisa”, avaliou a secretária da SCTIE, Fernanda De Negri. 

Primeiramente, o tratamento inicial do glaucoma na rede pública é orientado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença. Além disso, ele utiliza colírios para reduzir a pressão intraocular. Contudo, quando os medicamentos não apresentam o efeito esperado, o cenário muda. Do mesmo modo, isso ocorre se o paciente encontra dificuldades para seguir o uso regular. Consequentemente, o tratamento passa a incluir intervenções a laser ou cirurgias. Um exemplo é o implante de drenagem oftalmológico, conhecido como iStent.

Por outro lado, o novo procedimento será incluído no PCDT. Desse modo, ele abrange duas possibilidades cirúrgicas principais. Primeiramente, há a técnica feita por meio de uma pequena incisão na córnea, chamada de goniotomia excisional. Por fim, existe a alternativa a partir de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido no canal natural de drenagem do olho, denominada trabeculotomia transluminal.

Segundo o Relatório para Sociedade, documento público elaborado pela Conitec, somente a opção goniotomia excisional representa uma redução de aproximadamente R$ 18 mil a cada ano de vida saudável ganho pelo paciente em comparação ao iStent.

A incorporação da goniotomia excisional, por sua vez, poderá resultar em uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano, alcançando R$ 93,2 milhões no quinto ano. Nesse período, o montante total economizado será de R$ 276 milhões na substituição da cirurgia com iStent pela goniotomia excisional.

Glaucoma e catarata

O glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as imagens do olho ao cérebro. A condição provoca a perda progressiva de células da retina e limita gradualmente a visão periférica, que é a capacidade de enxergar ao redor. Segundo dados da Conitec, a doença já é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata.

Existem dois tipos principais de glaucoma. Por um lado, há o glaucoma primário de ângulo aberto, conhecido como GPAA. Ele é caracterizado por um avanço lento e silencioso. Por outro lado, existe o glaucoma primário de ângulo fechado, chamado de GPAF. Este último costuma surgir de forma mais súbita e aguda.

Além disso, de acordo com as informações da comissão, a enfermidade acomete até 3% da população brasileira acima de 40 anos. Nesse contexto, o GPAA é a variante mais prevalente. Consequentemente, ele representa cerca de 60% dos diagnósticos no país.

Por fim, a perda de transparência do cristalino caracteriza a catarata. Devido a isso, o cristalino fica opaco. Por conseguinte, essa alteração reduz a capacidade visual e afeta principalmente a população idosa.

Fonte: Gov.br