Uma maioria que equivale a mais de 55% dos países da UE, com mais de 65% da população do bloco, deu um aval provisório ao acordo
O Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado da União Europeia, deu sinal verde para aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
Uma maioria que equivale a mais de 55% dos países da UE, com mais de 65% da população do bloco, deu um aval provisório ao acordo. Essa posição precisa ser ratificada até às 13h (horário de Brasília). Agora ocorre um procedimento de manifestação por escrito.
Conselho se reúne hoje
Com cerca de 60 milhões de habitantes, o país responde por aproximadamente 13% da população da União Europeia e pode ser determinante para a formação da maioria qualificada no Conselho.
Para que o acordo avance nessa etapa, se faz necessário maioria qualificada no Conselho. Ou seja, o equivalente a pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, desde que representem 65% da população do bloco.
Se superar essa fase, o texto segue para o Parlamento Europeu, que precisa dar seu consentimento. No Parlamento, a aprovação ocorre por maioria simples dos votos.
Em uma primeira análise, a aprovação parece menos complexa, já que poucos países se opõem publicamente à assinatura do tratado. França, Polônia e Irlanda são países que já manifestaram posições contrárias ao acordo.
Somados, esses países representam cerca de 25% da população da União Europeia, percentual insuficiente para bloquear uma decisão por maioria qualificada.
Emmanuel Macron
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na última quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo. A declaração ocorreu enquanto agricultores bloqueavam estradas de acesso a Paris e pontos turísticos, como o Arco do Triunfo, em protesto contra o pacto.
Produtores franceses temem perda de competitividade dentro do bloco e um aumento das importações agrícolas caso fechem o acordo Mercosul–União Europeia.
Com resistências concentradas em poucos países, o foco das articulações diplomáticas se voltou para a Itália, cujo peso populacional a coloca como peça-chave para a formação da maioria qualificada.
Antecipação de 45 bilhões de euros em recursos da União Europeia para agricultores
A posição italiana oscilou ao longo das negociações em Bruxelas. Inicialmente favorável ao acordo, Roma passou a apresentar novas exigências durante as rodadas de negociação e, em alguns momentos, chegou a sinalizar resistência ao texto, elevando a expectativa em torno de seu posicionamento final.
Após semanas de negociações em Bruxelas, no entanto, representantes do setor agrícola italiano passaram a afirmar que se consideram contemplados nos termos oferecidos.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da União Europeia para agricultores no próximo orçamento plurianual do bloco. Portanto, concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de atrair países ainda reticentes ao acordo com o Mercosul.
Com as políticas reduzindo as resistências entre agricultores, a Itália teria uma última demanda para dar aval ao acordo: a redução do percentual necessário para o acionamento de salvaguarda no acordo entre Mercosul-UE.
Na prática, esse mecanismo estabelece como a UE poderia suspender temporariamente as preferências tarifárias na importação de determinados produtos agrícolas. Isto é, considerados sensíveis (como aves ou carne bovina) do Mercosul, caso essas importações sejam consideradas prejudiciais aos produtores da UE.
Itália quer redução no percentual
No acordo da UE, as importações de produtos agrícolas sensíveis aumentarem em média 8% ao longo de um período de três anos. Desse modo, o bloco poderá iniciar uma investigação sobre a necessidade de medidas de proteção. A Itália, entretanto, quer a redução para o percentual de 5%.
Países de peso como Alemanha e Espanha se posicionam de forma favorável ao acordo. Assim, avaliam que o pacto amplia o acesso de suas indústrias e empresas de serviços a um mercado de mais de 280 milhões de consumidores no Mercosul.
Dentro do governo federal, a expectativa é de otimismo. Autoridades avaliam que o Brasil cumpriu as negociações e que as resistências de agricultores europeus são naturais nesse tipo de acordo.
O governo brasileiro vê sinais diplomáticos claros de que a Itália está disposta a votar favoravelmente ao tratado.
Fonte: cnn


