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Saiba quais são as 5 armadilhas que fazem você gastar mais na Black Friday. A compra por impulso raramente parece impulso na hora Foto: Unsplash

BLACK FRIDAY: 5 armadilhas que fazem você gastar sem necessidade

Armadilhas que fazem você gastar mais na Black Friday

Ninguém entra na Black Friday achando que vai fazer besteira, porém, existem muitas armadilhas. Por exemplo, o sujeito entra só para dar uma olhada. Sai com uma air fryer maior que a cozinha, um fone que não sabia que precisava e a convicção de que economizou.

A compra por impulso raramente parece impulso na hora. Ela chega bem-vestida e cheia de argumentos: “trabalhei muito para isso”, “é uma oportunidade única”, “a parcela é pequena”, “no mês que vem eu economizo”.

Isolado, cada um faz sentido. Juntos, numa sexta-feira de contagem regressiva e estoque “acabando”, viram um comitê. E o comitê sempre aprova. Tony Diniz, líder de uma holding de negócios internacionais e autor do livro Pobreza é opção?, parte de uma ideia simples: quem decide o destino do dinheiro raramente é a matemática. É a história que a pessoa conta a si mesma um segundo antes de clicar em “finalizar compra”. E ele fala por experiência.

No livro, lançado pela LC Books Editora, o consultor financeiro relata momentos da própria trajetória em que acreditou não poder deixar passar uma oportunidade, e pagou caro por isso. Quase nunca o erro vem de falta de informação. Todo mundo sabe que parcela é dívida. O que falta é distância entre o desejo e a decisão, e na Black Friday essa distância tem o tamanho de um clique. É dessa experiência de vida que nasce a parte prática da obra, onde ele aponta as armadilhas que mais se repetem, como o desconto falso e a compra para aliviar a ansiedade.

Vale a pena inverter a pergunta. Nesse sentido, em vez de “o que eu ganho comprando isso?”, experimente “como eu poderia sair desta Black Friday mais pobre e arrependido?”. Por isso, a resposta costuma chegar rápido, quase sempre em forma de frase pronta. Além disso, antes de finalizar o carrinho, desconfie destas três:

1. “Eu mereço”:

O desejo pode ser legítimo, e merecer não está em discussão. Nesse sentido, merecer é um sentimento; por sua vez, caber é um número. Dessa forma, a pergunta é se a compra cabe no orçamento deste mês. Além disso, se precisa de parcela para caber, a recompensa vai chegar junto com a fatura. Por fim, a fatura não costuma achar que você mereceu.

2. “É só hoje”:

Antes de olhar o preço, olhe para quem colocou o cronômetro na tela. Nesse sentido, ninguém instala um relógio regressivo por gentileza. Por consequência, o recurso está ali para encurtar o tempo que você teria para comparar preços e decidir se precisa do item. Devolva esse tempo a si mesmo e deixe o produto no carrinho por pelo menos 72 horas. Por fim, se a oferta só vale para quem não pensa, ela provavelmente não vale.

3. “Depois eu compenso”:

Adiar o ajuste do orçamento transforma uma exceção em novas parcelas. Nesse sentido, o “você de agora” adora assumir compromissos em nome do “você de depois”. Além disso, esse “você de depois” não foi consultado e ainda vai encontrar o pneu que fura, a conta que sobe ou o mês que aperta. Dessa forma, se você pretende compensar, defina agora de onde o dinheiro vai sair e em qual mês. Por fim, sem essa resposta, a compensação vira só uma esperança.

4. “Está barato”

Produto com desconto continua sendo gasto, ainda mais quando você nem pensava em comprá-lo. Cinquenta por cento de desconto em algo que você não queria ainda é cem por cento de dinheiro a menos. E há etiquetas que sobem em outubro só para descer em novembro, com ar de quem está fazendo um favor. Confira o histórico de preço antes de acreditar na porcentagem, porque o desconto falso é uma das maiores armadilhas.

5. “Não posso perder essa oportunidade”

Antes de pensar na chance de ouro, veja se ela faz sentido para a sua realidade financeira. Se você não estava procurando aquilo, dificilmente era prioridade. Oportunidade única, aliás, é a que mais se repete: volta no ano seguinte, com outra cor e o mesmo cronômetro. Muita gente perde mais dinheiro tentando não perder oportunidades do que perdendo oportunidades de verdade. É nesse raciocínio que as pessoas se perdem, e o próprio autor não foi exceção.

Se você se reconheceu em mais de uma delas, espere. Isso não significa renunciar a todas as promoções. Na prática é separar o que você já planejava comprar do que a própria promoção criou. Boa parte da riqueza é invisível: é o carro que não foi trocado, o dinheiro que continuou quietinho na conta, sem foto para postar. Um bom preço ainda pode ser um mau gasto. E o melhor negócio da Black Friday, às vezes, é aquele que nunca aparece na fatura.

Fonte: Terra