Bashar al-Assad é condenado à pena de morte
O ex-ditador deposto Bashar al-Assad foi condenado à pena de morte por crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante os 14 anos da guerra civil no país, que deixou cerca de 500 mil mortos. O irmão mais novo do ex-ditador também foi condenado. Ambos receberam a sentença de um tribunal da Síria nesta terça-feira (11).
Bashar e Maher al-Assad não estavam presentes no julgamento em Damasco, e ainda não se sabe se a pena de morte contra Assad e seus familiares será cumprida. O ex-ditador e seu irmão fugiram para a Rússia enquanto insurgentes entravam na capital Damasco, em dezembro de 2024, em uma investida-relâmpago que derrubou o regime.
Segundo o tribunal, Assad recebeu condenação pelos seguintes crimes:
- Homicídio premeditado;
- Homicídio doloso de mais de uma pessoa;
- Homicídio doloso de crianças menores de 15 anos;
- Homicídio doloso acompanhado de atos de tortura e brutalidade;
- Incitação, em múltiplas ocasiões, ao homicídio premeditado e doloso;
- Tortura e tortura que resultou em morte;
- Privação de liberdade em múltiplas ocasiões.
Um tribunal condenou à morte no mesmo processo um dos primos maternos de Assad, chamado Atef Najib. Além disso, o tribunal o acusou de liderar uma repressão na província de Daraa, no sul do país, que “incitou uma guerra civil e conflitos sectários”.
Sob forte esquema de segurança, Najib permaneceu dentro de uma jaula, usando uniforme de presidiário, enquanto o juiz lia a sentença em um tribunal criminal. Najib, ex-general do Exército sírio, não conseguiu fugir da Síria. Por conseguinte, ele se tornou um dos funcionários de mais alto escalão da ditadura Assad. Ademais, acabou levado a julgamento.
Além disso, Ahmed al-Sharaa, o novo presidente da Síria, pediu a extradição de Assad. Por fim, ele fez esse pedido a Vladimir Putin, presidente da Rússia, durante um encontro bilateral em outubro de 2025.
Expectativa é de que Putin mantenha sua posição
A reunião, contudo, não avançou para a extradição. A expectativa é de que Putin mantenha sua posição, porque o governo russo apoia o ex-ditador e o sustenta desde o período em que ele estava à frente do governo sírio.
Nem o governo de al-Sharaa nem a Rússia haviam se pronunciado publicamente sobre a sentença até a última atualização desta reportagem. Assad também não havia se pronunciado de forma oficial.
Por conta da magnitude que o regime de Assad tinha, é possível que a rede ligada ao ex-ditador consiga impedir a execução de Najib ou amenizar a sentença.
O regime de Assad foi enfraquecendo aos poucos, principalmente a partir de 2022 com uma redução da ajuda russa por conta da guerra na Ucrânia. Uma ofensiva fulminante de cerca de duas semanas do grupo rebelde HTS entre novembro e dezembro de 2024 terminou derrubando seu regime.
Fonte: G1




