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Um erro no envio de informações pelas empresas à Receita Federal está levando milhares de trabalhadores à malha fina do IR 2026 - Foto: Joédson Alves/EBC

Erro no IR joga milhares na malha fina; veja como corrigir

Com a mudança no modelo, as empresas agora enviam os dados mensalmente à Receita por meio do eSocial

Um erro no envio de informações pelas empresas à Receita Federal está levando milhares de trabalhadores à malha fina do Imposto de Renda (IR) 2026.

O problema está na forma como o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) passou a ser informado. Com a mudança no modelo, as empresas agora enviam os dados mensalmente à Receita por meio do eSocial, enquanto o informe de rendimentos entregue ao trabalhador segue outro padrão de consolidação anual.

Na prática, isso tem gerado divergências. Em alguns casos, o valor total de imposto retido que aparece no informe não bate com o informado mês a mês pelas empresas ao Fisco.

Quando o contribuinte preenche a declaração com base no informe, então, o sistema da Receita cruza os dados com o eSocial. Se houver diferença, mesmo que pequena, se retem automaticamente a declaração.

Até agora, a Receita Federal já recebeu 14.052.027 declarações do Imposto de Renda 2026. Desse total, cerca de 8,15% caíram na malha fina, o equivalente a quase 897 mil contribuintes.

Os dados também mostram que 73,6% das declarações resultam em restituição, enquanto 15,1% têm imposto a pagar e 11,2% não têm imposto devido.

Em anos anteriores, cerca de 1,5 milhão de contribuintes acabaram na malha fina. Sendo assim, dá uma dimensão do impacto que esse tipo de erro pode gerar.

Mesmo assim, a Receita esclarece que, assim que essas informações são ajustadas pelas empresas, o Fisco faz o reprocessamento automático das declarações. Dessa maneira, permite a revisão das retenções e, quando for o caso, liberadas sem necessidade de nova ação do contribuinte.

Como resolver

A orientação para quem caiu na malha fina é verificar os dados antes de qualquer ação.

O caminho mais comum envolve três etapas:

  • conferir todas as informações do informe de rendimentos;
  • procurar a empresa pagadora em caso de erro;
  • enviar uma declaração retificadora, se necessário

Se o erro estiver nos dados enviados pela empresa, o ideal é aguardar a correção antes de retificar, para evitar novos desencontros de informação.

Também é possível consultar a situação da declaração no sistema da Receita Federal, que indica exatamente onde está a divergência.

O que acontece agora

“Malha não é punição; é etapa de conferência”, diz a Receita Federal.

Na prática, cair na malha fina não significa multa automática, mas sim uma análise da declaração.

Isso pode atrasar a restituição, que só é liberada após a regularização. Quanto antes o contribuinte corrigir o problema, mais rápido volta para a fila de pagamento.

A Receita, portanto, afirma que faz o reprocessamento contínuo das declarações ao longo dos meses. Isso, à medida que empresas e contribuintes corrigem as informações.

Formas ainda mais comuns de cair na malha

Em seguida, para os contribuintes de modo geral, as principais retenções na malha decorrem de:

  • omissão de rendimentos: quando a pessoa não informa ou informa valores menores do que os recebidos, inclusive em trabalhos temporários ou serviços eventuais;
  • omissão de rendimentos de dependentes: ao incluir dependentes, todos os rendimentos deles devem ser declarados;
  • despesas médicas não confirmadas: quando o valor não é validado pelo prestador do serviço;
  • despesas médicas não dedutíveis: gastos sem previsão legal, como nutricionista, óculos, medicamentos e vacinas — exceto quando incluídos em conta hospitalar.

Fonte: agênciabrasil