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O governo brasileiro vê menos espaço para conseguir negociar a segunda tarifa de 12,5%, prevista pelos Estados Unidos - Foto: Ricardo Stuckert / PR/Flickr

Governo brasileiro vê menos espaço para negociar segunda tarifa de 12,5%, anunciada pelos EUA

Anúncio da medida ocorreu após os norte-americanos concluírem uma investigação sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê menos espaço para conseguir negociar a segunda tarifa, de 12,5%, prevista pelos Estados Unidos sobre produtos exportados pelo Brasil.

O anúncio da medida ocorreu após os norte-americanos concluírem uma investigação sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia.

Uma primeira tarifa, de 25%, já havia sido anunciada pelos Estados Unidos após uma apuração focada no Brasil sobre supostas práticas comerciais injustas. Nessa frente, o diagnóstico do governo diz que há mais flexibilidade para as negociações.

O raciocínio do governo é que, como a taxação de 12,5% será aplicada também sobre outros países, inclusive aliados históricos dos norte-americanos, como Israel, dificilmente os EUA aceitarão fazer concessões ao Brasil em detrimento dos demais.

Na avaliação do Brasil, a tarifa não se justifica, uma vez que o país é referência global no combate ao trabalho escravo. No entanto, numa leitura mais pragmática do cenário, o Executivo considera pouco provável politicamente que os norte-americanos façam um gesto ao Brasil nessa frente.

O cenário da tarifa de 25%, anunciada após a conclusão da investigação da seção 301 empreendida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). A publicação do relatório definitivo acontece até 15 de julho, e a decisão sobre aplicação ou não das tarifas cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Ampliar a abertura do mercado brasileiro a itens de origem americana

A análise do governo brasileiro diz que qualquer eventual tarifa terá aplicação a partir dessa data. Por isso, a expectativa visa conseguir espaço para negociação, embora haja o reconhecimento do quão desafiadora é a tarefa.

Por enquanto, o Brasil está disposto a negociar reduções tarifárias, para ampliar a abertura do mercado brasileiro a itens de origem americana. Qualquer alteração no Pix, sistema de pagamento instantâneo do Banco Central que foi um dos alvos da investigação do USTR, está fora de cogitação.

O governo também pode aceitar outras flexibilizações no comércio com os americanos. Mas qualquer medida vai depender da negociação direta entre os dois países e de uma sinalização de alívio nas tarifas sinalizadas pelos EUA.

Uma nova reunião entre negociadores dos dois países deve acontecer na próxima semana. Ou seja, no âmbito do grupo de trabalho criado após o encontro entre Trump e Lula na Casa Branca, em 7 de maio.

Fonte: jornaldebrasilia