Os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de tarifas sobre produtos canadenses, atingindo diversos bens industriais e agroindustriais
A nova escalada da guerra das tarifas promovida pelo governo de Donald Trump contra o Canadá, pode produzir efeitos que vão além da relação entre os dois países, embora o impacto direto sobre o agro brasileiro seja limitado. Especialistas avaliam que as tarifas podem alterar fluxos globais de comércio. Bem como, aumentar a concorrência em alguns mercados e, em determinados segmentos, criar oportunidades para exportadores brasileiros.
Os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de tarifas sobre produtos canadenses, atingindo diversos bens industriais e agroindustriais. Entre os itens afetados estão derivados de leite, alimentos processados e bebidas alcoólicas. Produtos considerados estratégicos para a economia americana, como potássio, energia e minerais críticos, ficaram de fora das medidas.
Para o Brasil, os efeitos tendem a ocorrer de forma indireta. Um dos possíveis desdobramentos é a busca de importadores americanos por novos fornecedores caso determinados produtos canadenses percam competitividade no mercado dos Estados Unidos.
Setor de fertilizantes
Outro ponto observado pelo mercado é o setor de fertilizantes. O Canadá é um dos maiores produtores mundiais de potássio, insumo essencial para a agricultura brasileira. Como o produto foi excluído das novas tarifas americanas, diminui o risco de interrupções no abastecimento ou de uma disparada de preços, o que reduz uma preocupação para produtores brasileiros.
Além dos efeitos específicos sobre produtos, a nova rodada de tarifas reforça um ambiente de maior incerteza para o comércio internacional. Disputas comerciais costumam aumentar a volatilidade dos preços das commodities, do câmbio e dos custos logísticos. Isto é, fatores que afetam diretamente a competitividade das exportações agrícolas.
Na avaliação de analistas, entretanto, o episódio também evidencia um movimento mais amplo de reorganização das cadeias globais de abastecimento. Empresas e importadores tendem a diversificar fornecedores sempre que tensões comerciais elevam o risco de concentração em determinados mercados.
Foi exatamente esse processo que ocorreu durante a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Ou seja, quando o Brasil ampliou sua participação nas exportações de soja e de outras commodities agrícolas para o mercado chinês.
Portanto, a lógica pode voltar a se repetir, ainda que em menor escala. Em alguns segmentos, o Brasil poderá ocupar espaços deixados por exportadores canadenses. Em outros, terá de enfrentar uma concorrência maior em mercados internacionais com produtos que deixarem de ser vendidos aos Estados Unidos.
Fonte: cnn



