Índice de referência do mercado acionário brasileiro perdia 2,9%, aos 170.448 mil pontos
O Ibovespa tem queda expressiva nesta quarta-feira (28), com a bolsa paulista ainda sob efeito dos ajustes pós-eleição.
Investidores também estão de olho na temporada de balanços, que incluí os números de Santander Brasil e Klabin, e analisando potenciais desdobramentos da ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, que limita as chances de uma contestação do desfecho eleitoral.
Às 11h35 (de Brasília), o índice de referência do mercado acionário brasileiro perdia 2,9%, aos 170.448 mil pontos. O contrato futuro do índice com vencimento mais curto INDZ26, em 16 de dezembro, caía 3%.
De acordo com a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, a bolsa brasileira segue impactada pelas repercussões políticas e econômicas do período pós-eleitoral.
“Os agentes financeiros monitoram de perto os sinais sobre a formação da equipe econômica do governo e as perspectivas para a condução das contas públicas a partir do próximo ano”, afirmou.
Enquanto isso, o dólar oscila à espera de decisão de juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve deve manter as taxas inalteradas nesta reunião, após ter elevado os juros em 0,25 ponto percentual no mês passado.
No mesmo horário, a moeda norte-americana tinha alta de 0,05%, praticamente estável, cotada a R$ 5,3484. Na última sessão, o dólar caiu 1,07%, cotado a R$ 5,3488.
FED
Autoridades do Fed, antes da reunião de política monetária de dois dias desta semana, sinalizaram que o banco central pode ser paciente.
Há cerca de 90% de probabilidade de que o banco central americano mantenha as taxas inalteradas quando divulgar sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília), de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
Nessa linha, as taxas dos DIs (depósitos interfinanceiros) no Brasil, conhecidos também como juros futuros, oscilavam à espera da decisão do BC americano.
Pela manhã, os juros para janeiro de 2028 estavam em 14,36%, baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 14,381% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,915%, com alta de 1 ponto-base ante 14,907%.
Com os juros elevados, os bancos cedem de forma unânime no pregão. O Itaú Unibanco, um do principais papéis do IBOV, cedia quase 4% na sessão. Já a Petrobras tinha queda de 0,27%, enquanto a Vale mineradora derretia 1,73%.
Balanços agitam mercados
Resultados contábeis importantes agitam os humores do mercado nesta sessão.
O banco Santander reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,89 bilhões para o terceiro trimestre, queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O presidente-executivo do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, destacou um cenário macroeconômico ainda desafiador, principalmente pelo nível elevado de taxas de juros – que hoje está em 13,75%.
Nessa toada, as ações do banco enfrentam queda expressiva, superiores a 4%.
Enquanto isso, a Klabin recuava 4,34%, com investidores também repercutindo o resultado do terceiro trimestre da fabricante de papel para embalagem e celulose, que mostrou lucro líquido de R$393 milhões no terceiro trimestre, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025.
A empresa destacou que o desempenho foi afetado pelo aumento de custos ligados às medidas de mitigação do El Niño, pela valorização do real frente ao dólar e por maiores gastos com insumos e fretes.
Já a Hypera subia 2,52% no primeiro pregão após a divulgação de balanço, bem como o anúncio de programa de recompra de ações.
No terceiro trimestre, a farmacêutica apurou lucro líquido de R$527 milhões, crescimento de 16,1%, acima de previsões de analistas compiladas pela LSEG.
Cenário político preocupa
No campo político, o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nesta quarta-feira em um aeroporto de Miami de uma aeronave particular. Assim, o parlamentar descumpriu decisão da Justiça que determinou que ele entregasse seus passaportes após a derrota na eleição presidencial no domingo.
Para analistas do Citi, o episódio tem três implicações principais. Sendo uma delas a redução quase a zero das chances de contestação ou reversão do resultado eleitoral.
Eles também citaram que ele enfraquece o protagonismo político da família Bolsonaro na direita, abrindo espaço para novas lideranças e diminui a probabilidade de novos movimentos de rua questionando o desfecho eleitoral.
Fonte: cnn



