Tratores autônomos chegam ao campo brasileiroA chegada de tratores sem operador (ou seja, autônomos) ao campo brasileiro já começa a sair do papel. Apresentada em abril de 2026, a tecnologia OutRun, PTx Trimble, permite adaptar máquinas já em uso para operar de forma autônoma.
De acordo com o diretor comercial da PTx para América Latina, José Bueno, a tecnolgia dos tratores autônomos em campo brasileiro marca o começo da segunda revolução tecnológica no agronegócio.
Diferentemente de outras soluções que exigem a aquisição de novos equipamentos, o sistema funciona por meio de retrofit (do inglês, colocar novo no antigo), assim é instalado em máquinas que já estão em uso.
O sistema é acionado por um tablet e segue os traçados definidos por mapas e não faz desvios. Além disso, o equipamento pode ser operado por 24 horas por dia.
A proposta é reduzir o custo de adoção de novos equipamentos e ampliar o acesso à automação no campo, especialmente em um cenário de margens pressionadas no agronegócio.
Bueno aponta que diante de cenários de preços elevados, principalmente de combustíveis. A tecnologia é uma solução para redução de custos.
Sistema pode economizar em até 15% no consumo de combustível
“O sistema pode economizar em até 15% no consumo de combustível já que reduz as sobreposições de passadas no campo”, informou. Na prática, o modelo permite que tratores executem tarefas de forma autônoma e sincronizada com outras operações, como a colheita, reduzindo falhas e aumentando a precisão das atividades no campo.
Segundo Giancarlo Fasolin, gerente sênior de Marketing Estratégico PTx América do Sul, a proposta vai além de um avanço incremental. “O OutRun não é apenas um ‘piloto automático avançado’. Ele oferece aos produtores a flexibilidade de alocar mão de obra onde for necessário”, afirma.
Ele destaca ainda o potencial de ganho operacional em momentos críticos da safra. “É possível colher até 60% mais rápido com um trator operando de forma autônoma em apoio à carreta graneleira, trabalhando 24 horas por dia sem desviar um centímetro do que foi planejado”, diz.
Ainda segundo Bueno, o desafio da tecnologia é otimizar a janela de plantio. “Vimos um exemplo nesta safra, em que o produtor teve um tempo muito curto para realizar o plantio do milho segunda safra”, informou.
Desafios estruturais do setor
O avanço desse tipo de tecnologia ocorre em meio a desafios estruturais do setor, como a escassez de operadores qualificados e a necessidade de cumprir janelas cada vez mais curtas de plantio e colheita, influenciadas por fatores climáticos.
Em uma década, a safra grãos brasileira praticamente dobrou confome o levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abatescimento), passando de 166 milhões de toneladas em 2012 para 356,34 milhões de toneladas em 2025, enquanto o número de trabalhadores no agronegócio seguiu em queda.
Dados da FGV Agro indicam que o número total de trabalhadores no agronegócio caiu de 14,34 milhões em 2016 para 13,78 milhões em 2023. Além disso, a redução representa 560 mil postos de trabalho em sete anos. Dessa forma, a queda expressiva no contingente mostra uma tendência de menor mão de obra no campo. Mesmo assim, o setor continua dependendo de mão de obra qualificada para operações modernas.
Apesar da taxa geral de desemprego ter recuado para 6,4% em 2024, a agropecuária teve queda de 4,7% em trabalhadores na comparação anual. Assim, o setor não acompanhou a melhora geral do mercado de trabalho. O movimento reforça a dificuldade do agronegócio em atrair e reter mão de obra. Além disso, a concorrência com atividades urbanas aumenta a pressão sobre o setor.
Por fim, a urbanização e a mudança no perfil da força de trabalho difícil a retenção de trabalhadores no campo. Dessa forma, a automação se torna uma alternativa estratégica para compensar essa falta de mão de obra.
A automação no campo pode impactar diretamente a organização da mão de obra no campo. “Com a substituição de atividades repetitivas, trabalhadores terão direcionamento a funções mais estratégicas dentro das propriedades”, informou o estudo.
Validação
Especialistas apontam que soluções desse tipo tendem a ganhar espaço no Brasil, mas a adoção em larga escala ainda depende de fatores como conectividade no campo, custo de implementação e adaptação às diferentes realidades regionais.
A expectativa é que a fase de validação ajude a calibrar o uso da tecnologia nas condições das safras brasileiras, que incluem desde grandes áreas mecanizadas até propriedades com limitações de infraestrutura.
Outro ponto destacado é o foco na produtividade dentro das condições reais do campo brasileiro. “O OutRun está em validação para todo o Brasil, é a autonomia construída em torno da agronomia. Nosso objetivo é permitir ao agricultor realizar a colheita no período ideal, garantindo o máximo de produtividade”, completa Bueno.
A tecnologia deve ter lançamento comercial previsto a partir de 2027 e até o momento sem um valor definido.
De acordo com diretor de Marketing da Fendt Brasil, Fábio Dotto, a expectativa é que a tecnologia esteja a no campo até 2030. “Nosso foco está sendo em realizar diversas validações e implementar para as mais diversas culturas da agricultura tropical”, destacou.
Fonte: cnnagro



