No momento, você está visualizando ATIVIDADE FÍSICA: Como manter o ritmo de treinos no frio
Tarefa difícil para muita gente, praticar atividade física, então, pode se tornar algo ainda mais desafiador no frio - Foto: Flickr

ATIVIDADE FÍSICA: Como manter o ritmo de treinos no frio

Médico ressalta que é possível manter a regularidade na atividade física durante os dias frios

Quando as temperaturas caem, abandonar as cobertas e levantar da cama pode ser uma tarefa difícil para muita gente. Praticar atividade física, então, pode se tornar algo ainda mais desafiador no frio. Mas a “preguicinha gostosa”, característica desse período, tem explicação.

“A sensação de conforto em repouso aumenta, os horários mais escuros podem interferir no ânimo e, na prática, muitas pessoas acabam se movimentando menos”, explica Daniel Oliveira, ortopedista especialista em coluna vertebral e sócio do NOT.

Ainda assim, o médico ressalta que é possível manter a regularidade na atividade física durante os dias frios. Mais do que isso: é ainda mais importante. Isso porque os exercícios contribuem para a saúde cardiovascular, melhoram a circulação e ajudam no controle do peso, além de favorecerem o bem-estar mental e participarem do bom funcionamento do sistema imunológico.

Criar uma rotina consistente de exercícios

Mas, como fazer isso? De acordo com Daniel Oliveira, uma boa estratégia é adaptar a rotina. “Escolher horários com temperatura mais amena, usar roupas adequadas, prolongar um pouco o aquecimento e optar por atividades prazerosas ou em ambientes fechados quando o frio estiver mais intenso”, lista. “Também é importante entender que o corpo pode demorar um pouco mais para atingir um bom rendimento em baixas temperaturas. Respeitar esse tempo ajuda a manter constância sem transformar o treino em sofrimento”, explica.

Como existe uma tendência natural para a redução de movimentação em dias mais frios, Saulo Macedo, treinador com foco em musculação, treino híbrido e crossfit, ressalta que é importante não depender apenas da motivação. O ideal é criar uma rotina consistente de exercícios. “Pequenas adaptações fazem diferença, como treinos mais objetivos, horários mais confortáveis e atividades que gerem sensação de bem-estar logo no início. O aquecimento também tem papel fundamental, porque ajuda o organismo a sair mais rapidamente do estado de repouso. Muitas vezes, a maior dificuldade está apenas nos primeiros minutos, depois que a temperatura corporal aumenta, a tendência é que a disposição melhore significativamente”, pontua.

Quais são os melhores treinos para o frio?

Escolher os exercícios adequados também pode ser uma boa maneira de manter a atividade física mesmo diante de temperaturas mais baixas. Nesse contexto, Saulo indica treinos que promovam a movimentação contínua, já que eles ajudam a gerar melhor adaptação ao frio. “Exercícios de força, circuitos funcionais, bicicleta, caminhada acelerada e atividades aeróbicas moderadas ajudam o corpo a elevar a temperatura corporal progressivamente, aumentando conforto e rendimento durante a prática. O treinamento de força merece destaque nessa época porque auxilia na manutenção da massa muscular, do metabolismo e da capacidade funcional. Além disso, muitas pessoas conseguem apresentar melhor desempenho em exercícios aeróbicos no frio moderado, já que o corpo sofre menos impacto térmico do que em dias muito quentes”, afirma. O treinador pondera, porém, que a escolha do treino deve respeitar o condicionamento físico, a idade e os objetivos individuais.

Quais os cuidados devem ser tomados ao treinar no frio?

Temperaturas mais baixas demandam atenção. A principal delas, segundo Saulo Macedo, está relacionada ao tempo de adaptação do corpo antes de atividades intensas. “O aquecimento precisa ser mais progressivo, incluindo mobilidade articular, ativação muscular e aumento gradual da frequência cardíaca. Outro ponto importante é evitar longos períodos parado durante o treino, porque o corpo esfria mais rapidamente. A hidratação também merece atenção: no frio, a sensação de sede diminui, mas o organismo continua perdendo líquidos durante a atividade física. Além disso, roupas inadequadas podem atrapalhar o desempenho. O ideal é utilizar peças que mantenham conforto térmico sem limitar os movimentos ou causar excesso de calor ao longo do exercício”, aconselha.

O médico Daniel Oliveira reforça o coro, acrescentando que pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou limitações osteomusculares devem ter atenção especial à intensidade do treino, principalmente em atividades ao ar livre. “O frio pode aumentar a sobrecarga cardiovascular e desencadear sintomas respiratórios em indivíduos predispostos”, destaca.

O ortopedista ressalta ainda que, mesmo que a relação entre o clima e a dor nem sempre apareça de forma consistente em estudos, é comum que muitas pessoas relatem piora de dores musculares e articulares em períodos mais frios. “A exposição ao frio pode favorecer maior rigidez muscular, sensação de tensão e redução da mobilidade, além de induzir hábitos que pioram o quadro, como passar mais tempo sentado, encolhido ou menos ativo”, explica.

Existem vantagens de treinar no frio?

Saulo Macedo ressalta que em climas mais amenos, o organismo costuma controlar melhor a temperatura corporal durante a prática de exercícios físicos, o que pode favorecer o rendimento e reduzir a percepção de fadiga em algumas modalidades, principalmente as aeróbicas. “Outro benefício importante é o impacto positivo sobre o humor e a disposição, já que a prática regular ajuda a combater o aumento do sedentarismo comum no inverno”, diz.

Daniel Oliveira acrescenta que a atividade física regular também está associada a melhores desfechos para a saúde geral e para o bem-estar mental. Assim, manter-se ativo no inverno também contribui para disposição, humor e qualidade do sono. “Frio não deve ser motivo para interromper a rotina, mas sim um sinal para adaptar o treino, aquecer melhor, vestir-se de forma adequada, ajustar horários e respeitar a resposta do próprio corpo”, conclui.

Fonte: otempo