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Forças iranianas impediram a passagem pelo Estreito de Ormuz no primeiro dia da operação de liberação da navegação anunciada pelos EUA Imagem: Vista de satélite do Estreito de Ormuz/Gallo Images via Getty Images

China e Irã desafiam bloqueio americano

Forças iranianas impediram a passagem pelo Estreito de Ormuz

As forças iranianas impediram com sucesso a passagem de cargueiros pelo Estreito de Ormuz no primeiro dia do “Projeto Liberdade”, a operação de liberação da navegação anunciada pelo presidente americano, Donald Trump. Assim, os Estados Unidos enfrentam um desafio duplo à sua estratégia contra o Irã.

Além disso, pela primeira vez, o Ministério do Comércio em Pequim comunicou às empresas chinesas que elas devem continuar comprando o petróleo iraniano, apesar das sanções americanas.

O Comando Central dos EUA afirmou ter rechaçado ataques com drones, mísseis e lanchas armadas iranianas enquanto asseguravam a passagem de dois navios de bandeira americana pelo Estreito de Ormuz.

Trump disse em sua rede Truth Social que houve abatimento de sete lanchas. Os militares americanos estão empregando dois destróieres com mísseis guiados e mais de 100 aeronaves na operação no Golfo Pérsico.

Irã negou que qualquer navio tenha passado pelo Estreito (4)

O Irã negou que qualquer navio tenha passado pelo Estreito (4) e reiterou que o trânsito precisa ser coordenado com as autoridades iranianas.

O comando da Marinha iraniana no Golfo afirmou ter expandido sua área de controle sobre o Estreito. Um mapa divulgado pelos militares iranianos inclui águas internacionais e parte do mar territorial dos Emirados Árabes Unidos nessa área supostamente sob seu controle.

A companhia de transporte marítimo dinamarquesa Maersk confirmou que o cargueiro Alliance Fairfax, de sua subsidirária americana Farrell Lines, atravessou o Estreito de Ormuz com escolta da Marinha dos EUA.

Mas não há sinais de grande movimentação de navios no local. Dois mil cargueiros continuam parados na área interna do Estreito, enquanto as transportadoras e seguradoras aguardam garantias mais robustas.

O Irã afirmou ter feito disparos de advertência contra um navio de guerra dos EUA que se aproximava do Estreito, forçando-o a recuar.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul informou que houve um incêndio e uma explosão a bordo do Namu, um navio mercante operado pela transportadora sul-coreana HMM. O governo estava verificando informações de inteligência que indicavam que o navio pode ter sido atacado.

“Talvez seja hora de a Coreia do Sul vir e se juntar à missão!”, comentou Trump em sua rede social, referindo-se ao incidente.

Emirados Árabes Unidos também relataram um incêndio

Os Emirados Árabes Unidos também relataram um incêndio em uma instalação petrolífera em seu porto de Fujairah, causado por um drone iraniano. Três pessoas foram hospitalizadas.

O porto fica fora do Estreito, o que o torna uma das poucas rotas de exportação de petróleo do Golfo livres do bloqueio. Os Emirados disseram ter interceptado 15 mísseis de cruzeiro e quatro drones iranianos, e um quarto caiu no mar.

Normalmente o governo chinês orienta discretamente as empresas do país a obedecerem às sanções americanas. No sábado (2), no entanto, as autoridades chinesas adotaram a postura oposta.

O Ministério do Comércio citou explicitamente a Hengli Petrochemical Co., uma grande empresa. A princípio, a orientação foi ignorar as sanções americanas. Ademais, deve continuar comprando petróleo iraniano.

Contudo, se o governo americano adotar sanções secundárias, haverá riscos. Ou seja, bancos que transacionam com a companhia poderão ter seu acesso ao dólar bloqueado pelo Tesouro americano. Portanto, a medida impacta diretamente a operação financeira da empresa.

Em geral são empresas menores, que operam só na moeda chinesa, renminbi, que costumam driblar sanções americanas, porque suas operações são mais difíceis de detectar pelo sistema financeiro dos EUA.

A resistência militar iraniana, combinada com a nova postura chinesa, tendem a reduzir o impacto da estratégia americana de asfixiar a economia iraniana para suavizar a posição do Irã nas negociações de um acordo nuclear. E a prolongar o fechamento do Estreito de Ormuz, com suas consequências sobre a economia global.

Fonte: cnn