Hamas anunciou a dissolução do seu governo na Faixa de Gaza
O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) a dissolução do seu governo na Faixa de Gaza. O grupo armado se prepara para transferir o poder para um comitê técnico apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), como parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Não está claro, porém, se o Hamas pretende se desarmar ou transferir a segurança para uma força internacional. O grupo descreveu sua decisão como uma demonstração de seu compromisso com a reconstrução de Gaza após quase três anos de guerra.
Tampouco há garantias de que a medida trará mudanças significativas na prática. Tal decisão, aliás, foi anunciada por um funcionário de escalão inferior.
O Hamas, vale lembrar, é classificado como organização terrorista pelos EUA, pela União Europeia e por diversos países. Ademais, o grupo governa a Faixa de Gaza há duas décadas, desde as eleições de 2006.
Em coletiva de imprensa, Ismail al-Thawabta se manifestou. O diretor-geral do Escritório de Mídia do Governo, administrado pelo Hamas, afirmou um ponto importante. Segundo ele, “apenas funcionários técnicos e profissionais” permanecerão em seus cargos. O objetivo, portanto, é conduzir os assuntos cotidianos do enclave palestino.
“Todos os funcionários que trabalham na prestação de serviços são ‘funcionários do Estado’ e estão totalmente preparados para trabalhar sob o Comitê Nacional para a Administração de Gaza”, disse. Já o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, chamou a medida de “um passo positivo adiante no caminho para implementar o acordo de cessar-fogo”.
Desarmamento é ponto-chave
O Conselho de Paz, entidade liderada pelo presidente americano Donald Trump com o mandato de governar e reconstruir Gaza, declarou estar ciente do anúncio do Hamas, mas afirmou que avaliará o impacto com base em “ações, não promessas”.
O órgão, alvo de controvérsia global, enfatizou que o comitê tecnocrático deve controlar todas as armas no enclave palestino, conforme estabelecido no acordo de cessar-fogo. “O princípio central continua sendo uma só autoridade, uma só lei e um só arsenal.”
Israel, por sua vez, descartou o anúncio como irrelevante. “A suposta renúncia do governo do Hamas, em que todos os membros do Hamas permanecem em seus cargos, é uma manobra de imagem sem qualquer significado”, afirmou uma autoridade israelense, sob condição de anonimato, porque não estava autorizada a falar com a imprensa.
O comitê de tecnocratas, sediado no Cairo, é presidido por Ali Shaath. Ele é um engenheiro nascido em Gaza e ex-funcionário da Autoridade Palestina. Ele possui, primordialmente, o mandato de restaurar serviços essenciais. Ademais, deve coordenar assuntos civis sob supervisão da ONU e do Conselho de Paz.
Nove meses após a assinatura do cessar-fogo, contudo, as negociações entre Israel e Hamas continuam amplamente estagnadas. Isso se refere, especificamente, à implementação da segunda fase, que inclui o desarmamento do grupo palestino e a reconstrução de Gaza.
O Hamas, todavia, impôs condições. O grupo condicionou, finalmente, qualquer discussão sobre o desarmamento à implementação integral da primeira fase.
Ataques ainda diários
O ataque de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas matou cerca de 1,2 mil pessoas em Israel e resultou no sequestro de outras 251. A ofensiva retaliatória de Israel em Gaza matou quase 79 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O ministério, que faz parte do governo liderado pelo Hamas, é composto por profissionais de saúde e mantém registros detalhados considerados, em geral, confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes. Ele não distingue civis de membros armados do Hamas e afirma que mulheres e crianças representam cerca de metade de todas as mortes.
Os ataques israelenses diminuíram consideravelmente desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro, mas continuam quase diários. As Forças Armadas de Israel afirmam que têm como alvo o Hamas e outros atores armados.
Ataques israelenses resultaram na morte de, pelo menos, cinco pessoas em Gaza. Entre as vítimas, três faleceram em Khan Younis. Simultaneamente, outras duas pessoas morreram em um apartamento na Cidade de Gaza. Segundo informações de autoridades locais, o cenário é esse. Desde o início do cessar-fogo, cinco militares israelenses morreram em confrontos com o Hamas.
Fonte: IG



