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A madeira está presente na construção de grandes edifícios, impulsionada pelo uso de madeira laminada cruzada e a laminada colada Imagem: Volodymyr TVERDOKHLIB / Shutterstock

Arranha-céus de madeira ganham força na construção moderna

A madeira está presente na construção de grandes edifícios

A madeira está voltando ao centro da construção civil em projetos de grandes edifícios, impulsionada pelo uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada, que permitem estruturas mais altas, leves e resistentes.

Segundo a tendência descrita por arquitetos e engenheiros em um artigo do Grist, organização de mídia independente dedicada a soluções climáticas, a adoção da madeira em grandes edifícios acompanha tanto preocupações ambientais quanto avanços técnicos que permitem seu uso seguro em estruturas de grande porte.

Estruturas de madeira em altura e captura de carbono

O uso de materiais como a madeira laminada cruzada e a laminada colada permite avanços na construção civil. Nesses sistemas, camadas de madeira são coladas para formar vigas e pilares mais resistentes. Dessa forma, é possível construir edifícios de 15, 20 e até 25 andares com estrutura em madeira. Além disso, esses materiais oferecem boa resistência estrutural e contribuem para a sustentabilidade da obra.

Em 2022, o Ascent MKE Building foi inaugurado em Milwaukee, nos Estados Unidos. Com aproximadamente 86,5 metros de altura, o edifício se tornou o de madeira mais alto do mundo. Assim, o prédio consolida a aplicação de madeira laminada em arranha‑céus de grande porte.

Esse avanço ocorre em um contexto de aquecimento global. Árvores capturam carbono durante o crescimento e esse carbono pode ser incorporado de forma permanente às construções. Em Vancouver, no Canadá, foi concluído um edifício de 10 andares chamado The Hive, descrito como a maior estrutura de madeira com resistência sísmica do tipo na América do Norte.

Resistência sísmica e engenharia estrutural

Apesar do uso da madeira, as construções não dependem apenas dela para resistir a terremotos. Além disso, outros elementos estruturais e tecnologias complementam a segurança desses edifícios. No caso do The Hive, utilizam-se amortecedores Tectonus, instalados estrategicamente na estrutura. Dessa maneira, esses dispositivos funcionam como grandes sistemas de absorção de energia durante os tremores.

Assim, ajudam a reduzir os impactos das vibrações e a recentralizar o edifício após cada movimento. Por isso, a estrutura mantém maior estabilidade mesmo em abalos de intensidade elevada. Em testes da Universidade da Califórnia em San Diego, houve avaliação de uma estrutura de madeira de 10 andares. Além disso, a edificação foi submetida a 88 simulações de terremotos, reproduzindo diferentes cenários reais.

No núcleo do edifício havia uma peça de madeira em massa chamada “parede oscilante”, integrada ao conjunto. A “parede oscilante” ancora-se à fundação com hastes de aço de alta resistência, reforçando a rigidez. Mesmo submetida a tantas simulações, a estrutura não sofreu danos estruturais relevantes. Dessa forma, confirmou‑se a robustez do sistema em condições extremas de solicitação sísmica.

“Teve um desempenho fenomenal”, afirmou Shiling Pei, professor da Colorado School of Mines. Portanto, os resultados reforçam a viabilidade do uso de madeira em grandes edifícios em regiões sísmicas.

Segurança contra incêndio e uso combinado de materiais

Mesmo em construções em madeira, ainda há uso de outros materiais. As vigas se fixam com suportes metálicos e os edifícios apoiam-se em fundações de concreto, cuja produção tem impacto significativo de carbono, embora haja esforços para torná-la mais sustentável.

Em relação ao risco de incêndio, a madeira laminada existe para formar uma camada de carvão ao queimar, o que protege sua estrutura interna. “Essa é a camada de carvão que atua como um revestimento protetor que impede que queime ainda mais”, disse Lindsay Duthie.

Além da engenharia, há também o aspecto ambiental: o uso da madeira é uma alternativa ao aço, cuja produção tem alto impacto de carbono, e se beneficia de práticas de manejo florestal que utilizam árvores menores e reduzem os riscos de incêndios.

Fonte: olhardigital